Visigótico
arqueo.org — o Portal da Arqueologia Ibérica, sem obscurantismo e religiosidade
200

Cristianismo na Península Ibérica

A fase de implementação e expansão da nova religião no Império Romano. Irradiação na Península Ibérica.

Cruz grega, exposta na Igreja de Santo Amaro, em Beja.

O Cristianismo primitivo é caracterizado por uma enorme heterogeneidade de concepções; as divergências centram-se nas dispares caracterizações da pessoa de Jesus Cristo e da sua suposta divindade:

  • simples ser humano, sem divindade
  • filho de Deus
  • o próprio Deus
  • profeta de Deus, sem caracterisitscas de divindade

O período que se abre em 70 e que segue até aproximadamente 135 caracteriza-se pela tentativa de definição da «verdadeira» ideologia cristã, sempre gorada pelos movimentos centrifugais do heresismo.

No Oriente, estabelece-se o episcopado monárquico: a comunidade é chefiada por um bispo, rodeado pelo seu presbitério e assistido por diáconos.

Gradualmente, o sucesso do Cristianismo junto das elites romanas fez deste um rival da religião estabelecida. Embora desde 64, quando Nero mandou supliciar os cristãos, se tivessem verificado perseguições ao Cristianismo, estas eram irregulares.

As perseguições organizadas contra os cristãos surgem a partir do século II: em 112 Trajano fixa o procedimento contra os cristãos. Para além de Trajano, as principais perseguições foram ordenadas pelos imperadores Marco Aurélio, Décio, Valeriano e Diocleciano.

Durante a segunda metade do século II assiste-se ao continuo desenvolvimento das heresias. Tatiano, um cristão de origem síria convertido em Roma, cria uma seita gnóstica que reprova o casamento e que celebrava a eucaristia com água em vez de vinho.

Marcião rejeitava o Antigo Testamento, opondo o Deus vingador dos judeus, ao Deus bondoso do Novo Testamento, apresentado por Cristo; ele elaborou um Livro Sagrado feito a partir de passagens retiradas do Evangelho de Lucas e das epístolas de Paulo.

À medida que o Cristianismo criava raízes na parte ocidental do Império Romano, o latim passa a ser usado como língua sagrada (nas comunidades do Oriente usava-se o grego).

Constantino, o primeiro imperador cristão

A ascensão do imperador romano Constantino representou um ponto de viragem para o Cristianismo. Em 313 publicou o Édito de Tolerância (ou Édito de Milão) no qual o Cristianismo é reconhecido como uma religião do Império, e concede a liberdade religiosa aos cristãos.

A Igreja pode possuir bens e receber donativos e legados. É também reconhecida a jurisdição dos bispos.

Constantino estipula o descanso dominical, proíbe a feitiçaria e limita as manifestações do culto imperial. Ele também mandou construir em Roma uma basílica no local onde, supostamente, o apóstolo Pedro estava sepultado.

Concílio de Niceia (325)

Apesar de a Igreja ter prosperado sob o auspício de Constantino, decaiu devido aos muitos cismas públicos e confrontações bélicas entre os adeptos das várias crenças.

Constantino convocou o Concílio de Niceia para forçar a unificação dos cristãos, pois com as divergências e sectarismos, a religião seria imprópria para a sua missão ideológica de disciplinar o povo. Constantino, tendo-se apercebido do sucesso da ideologia masoquista do Cristianismo junto aos escravos, tinha decidico elevá-la a Religião do Império.

Foram discutidas no Concílio de Nicéia a questão ariana, que dizia que Cristo não era divino, mas o mais perfeito das criaturas...

Constantino interrompeu brutalmente as querelas teológicas e o sectarismo que desde o início marcaram o Cristianismo (e que o continuam a marcar). Lutou contra o Arianismo, uma doutrina que negava a divindade de Cristo; foi oficialmente condenada no Concílio de Niceia. Constantino obrigou os bispos a definir um credo cristão único, que resultou por ser uma mistura de vários elementos contraditórios, oriundos das diferentes seitas cristãs. Este credo continua a vigorar até hoje.

Der Codex Argenteus ist der Rest eines Evangeliars in gotischer Sprache, der in der Universitätsbibliothek Carolina Rediviva zu Uppsala aufbewahrt wird. Er ist mit silber- und goldfarbener Tinte auf purpurfarbenes Pergament geschrieben. Darauf bezieht sich der Name Silbercodex. Der Codex enthält Teile der vier Evangelien als Abschrift der gotischen Bibelübersetzung (Wulfilabibel) des Bischofs Wulfila (lat. Ulfilias) (311–383) und zählt zu den ältesten schriftlichen Zeugnissen einer germanischen Sprache. Der Codex wurde um 500 in Norditalien geschrieben, war vermutlich im Besitz Karls des Großen, wurde in der Benediktinerabtei Essen-Werden aufbewahrt und geriet auf unbekannten Wegen in den Besitz Rudolfs II., der die Kostbarkeit in der Prager Burg verwahrte.
Expansão do Cristianismo

Mais tarde, nos anos de 391 e 392, o imperador Teodósio I combateu o paganismo, proibindo o seu culto e proclamando o Cristianismo religião oficial do Império Romano.

A parte ocidental do Império cairia em 476, ano da deposição do último imperador romano pelo bárbaro germânico Odoacer, mas o Cristianismo permaneceria triunfante em grande parte da Europa, até porque alguns bárbaros já estavam convertidos ao Cristianismo — ou viriam a converter-se nas décadas seguintes.

O Império Romano teve um papel instrumental na expansão do Cristianismo. Por outro lado, o Cristianismo teve um papel devastador como eliminador da cultura da Antiguidade Clássica...

A Igreja, única organização que não se desintegrou no processo de dissolução da parte ocidental do Império, começou lentamente a tomar o lugar das instituições romanas ocidentais, chegando mesmo a negociar a segurança de Roma durante as invasões do século V.

Embora estivesse unida linguisticamente, a parte ocidental do Império Romano jamais obtivera a mesma coesão da parte oriental (grega/bizantina). Neste espaço geográfico-cultural havia um grande número de culturas diferentes que haviam sido apenas parcialmente assimiladas pela cultura romana.

A introdução do Cristianismo na Península Ibérica

Mas enquanto os bárbaros invadiam o Império Romano, muitos passaram a comungar da fé cristã. Por volta dos séculos IV e X, todo o território que antes pertencera ao ocidente romano estava convertido ao Cristianismo e era liderado pelos Papas.

v
Lápida funerária do bispo Vincomalos. Século V.
Proveniência: Finca Los Bojeos, Bonares, Huelva.

A lápida funerária do bispo Vincomalos ("o vencedor dos pecadores"), que morreu em 509 n.E., foi encontrada em Huelva, junto com outras três lápides paleocristãs no contexto de uma provável basílica. O seu descobrimento documenta a existência da diócese de Ilipla (Niebla) em meados do século V, sendo este bispo um dos mais antigos prelados cristãos conhecidos na Península Ibérica.

O Concílio de Braga, 561 - 563
Mertin de Braga
Martinho da Panónia, Martim de Braga, ou de Dumio. Miniatura do Códex Albeldensis, 976. Biblioteca del Monasterio de San Lorenzo de El Escorial, Madrid.

Por ordem do rei Ariamiro foi realizado o Concílio de Bracara, entre 1 de Maio de 561 a 563, tendo sido presidido por São Martinho de Dume, bispo titular de Bracara.

O I Concílio de Braga teve lugar na então capital do reino dos Suevos), tendo sido presidido por Martinho da Panónia, bispo titular de Bracara e de Dume. A ele acudiram bispos da Gallaecia e do norte da Lusitânia. Teve o apoio do Papa João III, e declarou anátema todos aqueles que acreditassem em doutrinas de tipo maniqueísta, como os priscilianistas.

Deste concílio resultaram significativas reformas, principalmente no mundo eclesiástico e linguístico, destacando-se a criação do ritual bracarense e a abolição de elementos linguísticos pagãos, como os dias da semana Lunae dies, Martis dies, Mercurii dies, Jovis dies, Veneris dies, Saturni dies e Solis dies, por Feria secunda, Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabbatum, Dominica Dies, donde derivam os modernos nomes dos dias na língua portuguesa.

Temas relacionados

A basílica paleocristã de Mértola


Livro Cultura Visigótica

Cultura Visigótica

— Uma introdução à cultura vigente em Portugal e Espanha entre 400 e 1100 n.E.

Textos, fotos e paginação de Paulo Heitlinger. Um livro em formato digital, invulgar, reunindo vários usos: roteiro e guia de viagem, livro de estudo, compêndio de Arqueologia, fonte de material didáctico e informativo para professores e estudantes.

Cerca de 250 fotografias/ 300 páginas. PDF em formato DIN A4, ao largo. Preço: 15 Euros.


Maniqueísmo — filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo profeta persa Mani (ou Manes), combinando elementos do Zoroastrismo, Cristianismo e Gnosticismo, condenado pelo governo do Império Romano, filósofos neoplatonistas e cristãos ortodoxos. Filosofia dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjectivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal. A igreja cristã de Mani era estruturada a partir dos diversos graus do «desenvolvimento interior». Mani encabeçava-a, como apóstolo de Jesus Cristo. Junto a ele eram mantidos doze instrutores ou filhos da misericórdia. Seis filhos iluminados pelo sol do conhecimento assistiam a cada um deles. Esses "epíscopos" (bispos) eram auxiliados por seis presbíteros ou filhos da inteligência. O quarto círculo compreendia inúmeros eleitos chamados de filhos e filhas da verdade ou dos mistérios. Sua tarefa era pregar, cantar, escrever e traduzir. O quinto círculo era formado pelos auditores.

ss

topo da páginaTopo da página

Quer usar este texto em qualquer trabalho jornalístico, universitário ou científico? Escreva um email a Paulo Heitlinger.
copyright by algarvivo.com/comunicacao