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Povoado pré-histórico de Leceia

Um dos mais importantes e significativos povoados calcolíticos da Península Ibérica. Oferece um excelente estado de restauro e conservação, pelo que uma visita é particularmente elucidativa...

Forno de cerâmica
Linha de muralha, com dois bastiões. Projecto de conservação do arqueólogo João Luís Cardoso.

Localização: Barcarena. Estrada Municipal 579-1 (Leceia) Horário: De Segunda-feira a Sexta-feira das 14h00 às 17h00 (Encerra Sábados e Domingos) Entrada: Gratuita

O povoado fortificado

Numa época em que se estabeleceram as primeiras rotas comerciais regulares, o povoado fortificado de Leceia corresponde a uma pequena cidadela localizada sobre uma escarpa rochosa que dá para o vale da ribeira de Barcarena e defendida através de um elaborado sistema de muralhas, dotadas de bastiões.

Rampas de acesso e portas, cabanas e lareiras domésticas, eiras, lajeados e possíveis lixeiras, etc. - assim como abundantes utensílios em pedra, cerâmica, osso e metal, bem como restos de consumo diversos - dão corpo a um recinto habitacional complexo, rico de informações acerca dos modos de vida de uma população que, no terceiro milénio antes de Cristo, constituiram um dos principais pólos de fixação humana à entrada do Tejo.

O estabelecimento de um povoado no Neolítico Final, e a subsequente construção durante o Calcolítico Inicial indicam o apreciável desenvolvimento de uma economia agro-pastoril.

Os primeiros trabalhos arqueológicos aqui realizados, sob a orientação de Carlos Ribeiro, datam do século XIX, mas só à pouco mais de uma década é que se iniciaram escavações metódicas.

Desde 1983, ano em que estava iminente a destruição desta jazida arqueológica, que o estudo deste local está a cargo do Prof. João Luís Cardoso. Com uma extensão conhecida de cerca de 5000 m2, este povoado fortificado revelou vestígios correspondentes a aproximadamente 1000 anos de ocupação, distribuidos em quatro fases, que vão desde o Neolítico Final (c. 3000-2500 A.C.) até ao Calcolítico Final (c. 2000 A.C.).

Quer as estruturas habitacionais, quer o dispositivo defensivo (organizado em três linhas e constituído por muralhas e bastiões) foram edificados num local elevado e com boas condições naturais, de forma a responder a necessidades de ordem defensiva e económica.

Forno de cerâmica
Linha de muralha, com bastiões. As passarelas permitem ao visitiam passear por cima das ruínas, sem danificar as partes restauradas e conservadas. Vê-se o embasamento de uma eira, construção comunitária situada do lado interno da 1ª linha defensiva. Calcolítico inicial.
Um projecto exemplar de conservação, da autoria do arqueólogo João Luís Cardoso.

O vale da Ribeira de Barcarena é uma região fértil e que na altura da ocupação do povoado deveria estar mais próximo do litoral, pois o nível do mar situava-se então acima do actual (foram encontrados vestígios de moluscos). Esta situação provocou o aumento da produção agrícola (vestígios de mós manuais e foices), a consequente acumulação de excedentes (presença de mós).

Forno de cerâmica
Centro de acolhimento de Leceia.
Publicações

João Luís Cardoso. O povoado pré-histórico de Leceia no quadro da investigação, recuperação e valorização do património arqueológico português. Arqueólogo especialista do património, este docente do Departamento de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Aberta tem vindo, desde há vinte anos, a coordenar a investigação de Leceia.

Exposições

O povoado de Leceia : Sentinela do Tejo no terceiro milénio a.C.

Datas: 17 de Julho de 1997 a 5 de Abril de 1998: Museu Nacional de Arqueologia /Câmara Municipal de Oeiras. Comissariado científico: João Luís Cardoso: Apresentação monográfica do Povoado de Leceia (Oeiras)

A exposição, organizada conjuntamente pelo Museu Nacional de Arqueologia e a Câmara Municipal de Oeiras, revela ao visitante o sítio de Leceia, em toda a sua magnificência, através de maquetas muito pormenorizadas, de objectos arqueológicos, de textos, de mapas e plantas. O cenário de Leceia, construído nos Jerónimos, pode finalmente ser completado por passeio ao próprio local, no âmbito de circuitos de visita expressamente organizados para o efeito pela autarquia.

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