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Minas de Aljustrel (Vipasca)

A Lusitânia romana possuía diversas minas e, em Aljustrel, uma mina de cobre localizava-se no povoado Vipascum ou Vipasca.

A área mineira de Vipasca era administrada por um procurator et rationalium uicarius. Entre 1876 e 1906 encontraram-se placas de bronze contendo a legislação que vigorava no distrito à época de Adriano (117-138 d.C.). Os diversos serviços públicos de Vipasca, como os banhos, constituíam monopólios, que o procurator entregava a administradores privados mediante o pagamento de uma renda.

A Tábua de Vipasca

Minas de Aljustrel. Aljustrel. Baixo Alentejo. Ano (s) 117-138 d.C. Placa de bronze com inscrição jurídica dimensão: largura 55 cm comprimento 76,5 cm espessura 1,2 cm. Placa de bronze com inscrição jurídica em latim. O texto é composto por 46 linhas gravadas em letra latina, representando um trecho de um código de minas que abrangia pelo menos três placas. A placa apresenta cinco furos para fixação e encontra-se parcialmente dobrada. O texto está redigido formalmente sob a forma de carta endereçada a Úpio Eliano, o procurador do distrito mineiro de Vipasca.

As minas de Aljustrel situam-se na Faixa Piritosa Ibérica, uma das maiores concentrações mundiais de jazigos de sulfuretos maciços, que se localiza entre Grândola e Sevilha.

Em Aljustrel encontram-se diversos filões, sendo os mais antigos os de S. João do Deserto e de Algares e os mais recentes os do Moinho e de Feitais.

Os filões de S. João e de Algares foram reconhecidamente explorados desde a antiguidade, como se comprova pelos inúmeros poços e galerias ainda existentes e resultantes da exploração durante o período de ocupação romana, embora os achados arqueológicos recolhidos na área de Aljustrel possam apontar para uma exploração pré-histórica dos potentes chapéus de ferro daqueles filões, que continham altos teores de cobre e prata e algum ouro.

Os depósitos de escórias do período romano foram calculadas em cerca de 450.000 toneladas.

As escavações permitiram formular a hipótese que em Aljustrel, na época romana, o tratamento do minério para obtenção de cobre era feito localmente.

A configuração e dimensão das ruínas postas a descoberto, a existência de um forno, de escórias e de vestígios de concentrado de cobre são os principais indícios que corroboram a existência de uma oficina metalúrgica para tratamento de minério, construída de raiz, tida como única na Europa, até ao momento.

O desenvolvimento das escavações torna-se essencial para aprofundar o conhecimento sobre a mineração, a metalurgia e a presença romana em Aljustrel.

De acordo com o calendário das conferências no Museu Municipal de Aljustrel, e depois das intervenções de Santiago Macias (Campo Arqueológico de Mértola) e de Carlos Pedro (Câmara Municipal de Aljustrel), falam Alida Carloni Franca (Universidade de Huelva) sobre "Antropologia da mulher mineira" e Juan Manuel Carvajal Quirós (Universidade de Huelva), sobre "Arqueologia Industrial na área mineira de Tharsis".


A exploração moderna da mina inicia-se em meados do séc. XIX, sendo a primeira concessão da mina de S. João atribuída a Sebastião de Gargamala em 1845, tendo sido então aberto o primeiro poço de extracção e estabelecido o primeiro bairro mineiro.

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