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As villæ romanas
Caracterização da villa romana
Uma villa romana era uma moradia rural, cujas edificações formavam o centro de uma propriedade agrícola. Estas villae poderiam ser construídas em pequenas fazendas, dependentes do trabalho familiar, ou em grandes propriedades, com trabalhadores escravos. A partir do século II a.C., as vilas, cada vez mais sofisticadas e elegantes, eram construídas, frequentemente, em torno de um pátio e eram localizadas de forma a integrar-se na paisagem. Com o passar dos tempos, começaram a ser edificadas como casas de campo para os ricos, sendo cultivadas por arrendatários ou sob supervisão de um administrador (vilicus). Por este tempo, já as villas eram construídas em todo o Império Romano, chegando, portanto à Península Ibérica. As moradias do estilo das villas espalharam-se pelas províncias romanas, e são conhecidas cerca de 60 villas na Bretanha. Durante o século IV, com o declínio do poder imperial de Roma, a civilização do tipo urbano descentraliza-se para as villae, sedes de grandes latifúndios e centros de poder político, económico e religioso. Em tempos pós-romanos, a casa senhorial e a propriedade rural (e seus equivalentes em outros lugares na Europa ocidental) substituíram a vila e suas propriedades. As villae do Alentejo e do AlgarveSendo uma grande casa agrícola, Milreu foi, simultaneamente, uma residência faustosa onde, com os seus jardins, termas, templo e artes decorativas, o proprietário poderia expressar todos os valores de uma romanidade que partilhava. Como em Milreu, outros grandes proprietários de villae algarvias rodeiam-se de elementos artísticos importados de oficinas longínquas como obras escultóricas ou mosaicos. A produção em larga escala de preparados piscícolas - por exemplo, de garum - e a sua exportação permite a obtenção de grandes riquezas que sustentam a grandiosidade das villae algarvias. As dezenas de sítios com tanques de preparados piscícolas e fornos de ânforas onde se produziam os contentores destinados à exportação, provam a importância que a exploração dos recursos marinhos assumiu no Algarve romano. Há, todavia, villae romanas no interior mais vocacionadas para a exploração agrícola e exploração mineira que, desde os inícios do primeiro milénio a C., atraíram os mais variados povos à região. Com efeito, os vestígios arqueológicos de mineração romana abundam no Algarve interior, tal como os de preparados piscícolas marcam todo o litoral.
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