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Villa romana de Freiria

Uma das mais importantes e mais extensamente escavadas villas romanas da região de Lisboa. Pode observar as termas, o magnífico celeiro, o lagar e a área residencial, com os seus pavimentos parcialmente cobertos de mosaicos.

levantamento topográfico feito por António Oliveira
Levantamento topográfico feito por António Oliveira

No Distrito de Lisboa, Concelho de Cascais, Freguesia de São Domingos de Rana no vale entre as localidades de Outeiro e Polima, junto á localidade de Freiria, foi descoberta uma villa romana.

Houve que esperar pelo ano de 1973 para que a villa construída no século II n.E. fosse estudada sistematicamente por Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, permitindo confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico, atestada, por exemplo, em fragmentos de cerâmica campaniforme e nalguns elementos da Idade do Bronze.

As sondagens, efectuadas entre 1985 e 1986, revelaram a casa senhorial romana, que se supunha destruída. Os trabalhos arqueológicos foram pondo a descoberto não só a villa como também uma localidade do Calcolítico, numa encosta adjacente de que já se sabia da sua existência pelos primeiros trabalhos de investigação desenvolvidos na área em 1973.

Destaque

A villa é um dos exemplos mais completos deste tipo de residência na Península Ibérica e destaca-se por dois motivos:

  • Pela monumentalidade e beleza do celeiro que só tem paralelo noutro exemplar da Península Ibérica, na " Villa Romana de Monroy", perto de Cáceres;
  • O quadrante solar, que é uma das raras peças do género achadas no território nacional.
Relógio romano de tipo cónico e gnómon horizontal

Relógio romano de tipo cónico e gnómon horizontal encontrado em Freiria.

Um dos primeiros proprietários da villa foi T(itus) Curiatius Rufinus, pois foi achada uma ara com inscrição deste dedicada à divindade pré-romana Tribunnis.

Em 1912 foi encontrada pelo arqueólogo Vergílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944), uma sepultura junto a uma pedreira na povoação de Freiria. Em 1973 os arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, começaram a estudar o local, permitindo, entre outros aspectos, confirmar uma permanência humana no local desde o Calcolítico.

Nos anos 80 e 90 do século XX e na primeira decada do século XXI foram descobertos:

A Domus que revelou uma estrutura bastante delicada, com átrio, Peristilo (pátio interior) e impluvium circundado de "espelhos de água" e o envolvente corredor provido de colunas, de que se encontraram diversas bases no seu local primitivo assim como alguns capitéis, para além de determinados pavimentos, incluindo o de um provável triclinium, cobertos de mosaicos policromos de motivos geométricos e paredes decoradas com estuques pintados.

Conseguiu-se identificar nos achados alguns dos compartimentos da casa, que eram ricamente pavimentados a mosaico policromo decorado com motivos geométricos. Mas, tal como sucede noutros exemplares desta tipologia arquitectónica, a sua estrutura inicial foi alvo de algumas remodelações pontuais, fruto do decorrer dos tempos e das novas necessidades quotidianas que se impunham, pela análise dos fragmentos cerâmicos recolhidos até ao momento, foi possível identificar duas dessas fases construtivas, ocorridas entre os séculos I e VI da EC

  • O Celeiro, localizado a sudeste e ao qual estaria associada a parte inferior de um moinho, foi ainda encontrado um lajeado a circundá-lo;
  • Moinho associado ao Celeiro;
  • Uma vasta camada de telhas, eventualmente pertencente a uma passagem coberta que estabeleceria a ligação entre a pars fructuaria, composta do Celeiro e o Lagar, e a área residencial, constituída pela Domus e pelo complexo termal
  • Um lagar de azeite, como parece testemunhar um peso de sarilho semelhante aos usados nestas estruturas;
  • O Forno de cozer pão, depois de ter sido destituído da sua função inicial após o século IV da EC
  • A pars rustica seria abastecida de água proveniente de um tanque-represa com base revestida de opus signinum erguido junto à ribeira que corre nas proximidades;
  • Termas, sendo que a investigação conduzida nestas permitiu identificar o hipocausto e dois tanques, de água fria e quente, revestidos a opus signinum, ao mesmo tempo que se determinava a ligação entre o domus e o frigidarium;
  • Uma necrópole na margem oposta, constituída pelo ustrinum (local de cremação dos corpos) e por mais de duas dezenas de enterramentos com urnas de incineração de inumação, estas últimas sem qualquer espólio, sendo, no entanto, de destacar a presença de uma lucerna decorada com a figura da deusa Diana numa das sepulturas de cremação;
  • Um (belo) mosaico que recentes escavações puseram a descoberto. Relativamente ao espólio associado, encontraram-se vários componentes:
  • Uma carranca com forma canídea;
  • Um quadrante solar;
  • Um conjunto de fragmentos de cerâmica comum e de terra sigillata;
  • Agulhas;
  • Alfinetes de osso;
  • Sovelas de ferro de um molde de cerâmica
  • Dois "tesouros" de moedas de diferentes cunhagens;
  • Uma ara consagrada à divindade indígena Triborunnis.

A Villa Romana de Freiria foi declarada como Imóvel de Interesse Público pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 96/1997 de 19 de Junho (referente às ruinas) e Resolução do Conselho de Ministros n.º 81/2005 de 31 de Março (referente há área envolvente).

Glossário

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