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Sines Os Romanos foram os primeiros a fazer de Sines um centro
portuário e industrial. Protegida das nortadas, a baía de Sines
era o porto marítimo da cidade de
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| Barco a remos, para carga. |
Uma das hipóteses da origem da toponímia de Sines deriva, aliás, do étimo latino "sinus" (que significa baía ou seio a configuração do cabo visto do alto do Monte Chãos), o que quer dizer que o interesse da povoação provém da utilização da sua enseada.
O Museu Arqueológico de Sines tem dois cepos de âncora (sécs. I ou II DC), encontrados em 1967, a 150 metros da costa de São Torpes, que testemunham o curso de barcos romanos pela agressiva costa alentejana.
É possível que o mar de Sines também fosse
interessante pela abundância do molusco thais haemastona, de onde
se extraía a
púrpura, utilizada em tinturaria.
As marcas de cerâmica estrangeira (sigillata) encontradas pelos arqueólogos dentro e fora do castelo têm sido utilizadas para definir a extensão do perímetro comercial em que Sines se incluía até à Hispânia? Até à Itália? Até à África (Tunísia)?
Há exemplares expostos no
Museu Arqueológico de Sines. Mas, no século
romano de Sines I DC , a função comercial é
complementada pela industrial.
Em 1961, José Miguel da Costa, em escavações
no exterior da cerca do castelo de Sines, no Largo João de Deus,
localizou
fábricas de salga e um forno de
cerâmica (onde se terão produzido ânforas para o envase dos
produtos salgados).
Na década de 1990, os arqueólogos Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares procedem a uma nova escavação e a um trabalho mais sistemático sobre as ruínas.
As cetárias estão neste momento expostas e enquadradas, sendo possível visitá-las (no Largo João de Deus, em Sines).
Por maior proximidade aos pesqueiros, a Ilha do Pessegueiro vai substituíndo Sines na produção de salgas, à medida que o século II avança.
A pedras usadas no castelo de Sines denunciam os povos que se instalaram naquele lugar. Em 1961, José Miguel da Costa extraiu das suas muralhas várias pedras da época romana.
Uma delas, o pedestal de uma estátua de Marte, permite esboçar a fisionomia da urbe e avaliar da sua importância. O pedestal, em mármore, tem uma inscrição muito erodida que indica que as estátua foi mandada erguer por disposição testamentária de um sacerdote encarregado do culto imperial.
De acordo com as deduções de José dEncarnação, teria de haver em Sines um espaço público onde a estátua fosse apresentada talvez um templo, sobre a qual terá assentado, posteriormente, a basílica visigótica; talvez uma praça, digna e movimentada o suficiente para nela ser mostrada a estátua do deus da guerra, de que o imperador era avatar.
A necrópole romana pode ter-se situado no centro medieval de Sines, a actual praça Tomás Ribeiro. No Museu Arqueológico de Sines está exposta uma lápide encontrada no castelo. Uma segunda necrópole (de incineração, no caso) foi encontrada na Feiteira de Cima. Muito danificada pela lavoura, não teve exploração arqueológica. Situa-se no Monte Chãos, o agro da Sines romana, onde os patrícios tinham as suas "villas" e terras de cultivo.
Na courela da Quitéria, Carlos Tavares da Silva e Joaquina
Soares sondaram uma
villa do século I muito destruída,
onde ainda encontraram restos de calçada e de um hipocausto (forno de
aquecimento da casa ou das termas).
A partir de meados do século I dC, a Ilha do Pessegueiro, que havia dois séculos sem ter utilização, volta a ser ocupada. Tal como a baía de Sines, é um dos poucos portos naturais do litoral alentejano. No Verão, para subir a costa, sujeita a nortada, os Romanos têm de aproveitar todos os apoios.
A ilha ou o seu trunfo portuário, o estreito canal que a separa do continente tem vantagens sobre Sines: não é tão exposta a sul e tem um melhor acesso ao "hinterland" alentejano (Sines está limitada pela Serra de Grândola). A Ilha do Pessegueiro está, nesta primeira fase, ligada a Garvão (Arandis).
Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares justificam o abandono da ilha entre meados do século I aC e meados do século I aC com o declínio da navegação atlântica provocada pela instabilidade em Roma.
É também o período da febre mineira no
interior alentejano mas o porto fluvial de
Mértola
deve ter sido privilegiado na escoagem do minério. Pela ilha terá
saído algum minério de Aljustrel.
Mas sobretudo do Cercal (a 7 km), onde há uma mina de ferro-manganês. Foi encontrada uma oficina de fundição no Pessegueiro. A reocupação da ilha integra-se num movimento de "atlantização" do sul da Lusitânia: Olisipo (Lisboa) substitui Scallabis (Santarém); Caetobriga (Setúbal-Tróia) substitui Salacia (Alcácer do Sal). Há um aumento da exploração dos recursos marinhos.
A
Lusitânia passa a concorrer com a Bética na
exportação de peixe salgado. As salgas da ilha são
fundadas no século II o que coincide com o declínio das de
Sines. A partir daí, a função comercial mantém-se,
mas a industrial ganha relevo. A diminuição das marcas de "terra
sigillata" (cerâmica) encontradas indicam uma desaceleração
das trocas.
O Pessegueiro torna-se satélite de Sines. No século III e primeira metade do século IV, a ilha especializa-se como centro de produção de salgas. Há pesqueiros próximos e o seu acesso é fácil.
A sardinha é a principal matéria-prima, mas não se conhece ao certo que tipo de salga é feito. A pequena unidade industrial pode ter dependido de uma villa. O produto industrial complementaria o agrícola.
A principal fonte deste texto é "Ilha do Pessegueiro - Porto Romano da Costa Alentejana", de Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares, mas também deve ler-se Arnaldo Soledade e um texto de José d'Encarnação publicado no jornal DISTRITO DE SETÚBAL ("No tempo dos Romanos, Sines teve uma estátua do deus Marte").
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