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Salatia (Alcácer do Sal)

Localizada estrategicamente na rota de escoamento marítimo de produtos do interior do Alentejo, (cereais, minérios e a lã), cedo as populações de Alcácer do Sal estabeleceram contactos com mercadores do Mediterrâneo Oriental...

Com a chegada dos Romanos assistiu-se à constituição da Urbes Imperatoria Salatia, mantendo-se a cunhagem própria de moeda e capital administrativa.

Época de navegação intensa do Sado, cunhada pelo desenvolvimento da pesca e indústria conserveira, e do garum. O nome poderá ter-lhe sido atribuído por Júlio César, que ao mesmo tempo lhe terá dado o "Latium Vetus" e inscrito os seus cidadãos na tribo "Galeria".

A cidade foi muito importante no séc. I d.C. As produções de Sal e lãs, seriam também dois dos fundamentos da prosperidade económica de Alcácer que beneficiaria ainda da sua posição de porto fluvial e de paragem obrigatória na estrada de Olissipo (Lisboa), a Ebora (Évora) e a Pax Julia (Beja).

O início da influência romana ocorreu antes de 133 a.C.. Não existem muitos dados entre esta data e as guerras entre Pompeu e César.

No decorrer desta guerra, as populações de Alcácer do Sal foram aliadas de Pompeu, recebendo, possivelmente, em troca desse apoio, de um dos filhos de Pompeu o título de Urbes Imperatoria Salatia e o estatuto de cidade de Direito Latino.

Ganha a guerra por César, Salatia é claramente desfavorecida. Com o Império, Salatia torna-se uma Civitas. O território da civitas iria provavelmente de Setúbal a Grândola.

Mas a sua importância económica decaiu em favor de Setúbal e Tróia, os grandes centros produtores e exportadores de preparados de peixe no estuário do Sado.

Com o advento do cristianismo, Salatia tornou-se cidade episcopal. Com a instabilidade política e militar do fim do Império Romano voltou a crescer a importância estratégica de Alcácer do Sal. No entanto, para este período até à conquista muçulmana inclusive, os dados arqueológicos e os textos são muito escassos.

Antes dos Romanos...

A ocupação do cerro do castelos de Alcácer do Sal remonta, pelo menos, aos séculos VII-VI a. C.. A demonimação do povoado habitado por populações célticas, foi Bevipo, conforme o comprovam legendas de moedas.

Localizada estrategicamente na rota de escoamento marítimo de produtos do interior do Alentejo, como sejam os minérios e a lã, cedo as populações de Alcácer do Sal estabeleceram contactos com mercadores do Mediterrâneo Oriental, fenícios e talvez gregos.

No espaço funerário do povoado (Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires) foram descobertos escaravelhos egípcios (possivelmente fabricados na colónia grega de Neukratis no delta do Nilo) e cerâmicas áticas de figuras vermelhas, datadas dos séculos V e IV a.C..

As populações de Alcácer do Sal, para além da prática da incineração dos seus mortos (comum aos povos indo-europeus), dominavam a tecnologia do ferro e decoravam a sua cerâmica com estampilhas (o que constitui um indicador para identificar a expansão das populações célticas).

Veja também...

Museu Municipal de Alcácer do Sal

Bibliografia

Alarcão, Jorge, Portugal romano, Lisboa, 1974

Glossário

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