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A Romanização da Península Ibérica

No século III a.n.E., altura em que Cartagineses e Romanos lutavam pelo domínio do Mediterrâneo, Roma invade a Península Ibérica, dominado-a, explorando-a e governando-a até ao século V n.E.
Jovem música
Jovem tocando guitarra. Museu de Arte Romano, Mérida

Os Romanos começaram a conquista da Península Ibérica pelo ano 218 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica, entre Roma e Cartago, em que as tropas comandadas por Cneu Cipião desembarcaram em Ampúrias.

Durante vários anos os Romanos lutaram contra o domínio dos Cartagineses, acabando por expulsá-los da Península em 206 a. C., com a conquista de Cádis, passando a dominar o litoral mediterrânico.

Ocupação

Seguiram-se as lutas contra os povos peninsulares. Por 194 a.n.E.. deu-se o primeiro confronto com os Lusitanos. Entre os chefes destes sobressaíam Viriato e Sertório.

A conquista da Península iria demorar até 19 a. C., no tempo de Augusto, dada a enorme resistência dos povos peninsulares ao assédio romano. A conquista foi-se estendendo do sul para o norte, mais montanhoso, onde era mais fácil resistir.

A língua latina acabou por se impor como língua oficial, funcionando como factor de ligação e de comunicação entre os vários povos. As povoações, até aí predominantemente nas montanhas, passaram a surgir nos vales ou planícies, habitando casas de tijolo cobertas com telha.

Como exemplo de veja páginaalgumas cidades que surgiram com os Romanos, temos Braga (veja páginaBracara Augusta) , Beja (veja páginaPax Iulia) , veja páginaConímbriga e Chaves (veja páginaAquae Flaviae) .

A divisão administrativa e judicial foi feita à moda de Roma, com a divisão da Península em três províncias (Tarraconense, Lusitânia, Bética) e com a criação dos conventos jurídicos.

As indústrias desenvolveram-se, sobretudo a construção urbana, de estradas, pontes e barragens, olaria, as minas, a tecelagem, as pedreiras, o que ajudou a desenvolver também o comércio, surgindo feiras e mercados, com a circulação da moeda e apoiado numa extensa rede viária (as famosas calçadas romanas, de que ainda há muitos vestígios no presente) que ligava os principais centros de todo o Império.

veja páginaVias romanas

Jovem música
Teatro romano de Mérida.

A influência romana fez-se sentir também na religião e nas artes.

Tratou-se, pois, de uma influência profunda, sobretudo a sul, a zona que foi primeiramente conquistada.

Os principais agentes foram os mercenários que vieram para a Península, os grandes contingentes militares romanos aqui acampados, a acção de alguns chefes militares, a imigração de romanos para a Península, a concessão da cidadania romana.

Os aspectos essenciais do Período Romano (218 a.n.E. até 408/411 n.E. )

Economia

A domínio romano operou uma mudança radical. De uma economia rudimentar passou-se a uma economia agrícola com bom aproveitamento dos solos e das várias culturas, como o trigo, oliveira, fruta e vinha. Desenvolve-se a produção industrial de bens utilitários (p.ex. anforas) e de luxo (p.ex. de vidros)

  • Agricultura extensiva, exploração a partir das veja páginavillæ
  • Arboricultura, transformação de vastas florestas
  • Criação de gado
  • Pesca excedentária, visando o abastecimento da indústria transformadora — veja páginasalga de peixe, veja páginagarum.
  • Intensa exploração mineira.
  • Aperfeiçoamento de todos os instrumentos.
  • Industrialização da olaria (fabrico em série).
  • Vidro.
  • Tecelagem.
Comércio

Desenvolvimento do comércio, (exploração de matérias primas ou semi-manufacturadas contra importação de técnicas e produtos manufacturados).

Generalização da moeda metálica.

Introdução do capital em dinheiro, (o juro e a usura).

veja páginaCidades protegidas por um veja páginaexército de legionários bem organizado, estrategicamente estacionado.

Cultura

Divulgação do Latim, escrito e falado, por todo o mundo Romano.

Divulgação da veja páginaletra romana.

Prática do ensino. Romanização de todas as expressões sociais e artísticas, (documentos, literatura, arte figurativa, arquitectura, pintura e escultura).

Religião controlada pelo interesse político, (culto de Roma e do Imperador e outros cultos autorizados por este).

Sepulturas individuais de incineração e de inumação com deposição de espólio junto do morto.

Aceitação progressiva do veja páginacristianismo a partir do séc. III d.c ( inumação dos mortos).

Sociedade

Propriedade privada dos meios de produção. Classe exploradora (o imperador, a aristocracia, os latifundiários e os grandes comerciantes) e classes exploradas. Esclavagismo.

Família monogâmica como unidade social.

Supremacia do poder paterno (sobre a mulher, filhos, escravos e meios de produção).

Conflitos sociais dominados pela lei, pela presença militar e pelo luxo público.

Estado

O Estado domina todo o mundo Romano e o Imperador domina o Estado.

Links

Museu de Arte Romano, Mérida

veja páginaMuseu Nacional de Arqueologia, Lisboa

Glossário

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