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O imperador Trajano (53 — 117 n.E.)

Foi o imperador sob o qual o Império Romano atingiu sua máxima extensão. Nascido na distante província espanhola, foi o primeiro imperador que não era natural de Roma, abrindo o caminho para uma nova era, onde os horizontes da participação cidadã romana nos altos escalões do Império passou a ser mais abrangente. Imperador de 98 a 117.

Trajano
Estátua do imperador Trajano. De Baelo Claudio.

Marcus Ulpius Traianus (53 - 117) nasceu em Itálica, na Bética, no sul da Hispania (actual Espanha), perto de Hispalis (Sevilha) no ano 53.

De família nobre, concluiu a formação militar com o seu pai, governador primeiro da Síria e depois da Ásia, na época de Vespasiano.

Comandou uma legião na Hispania e participou das campanhas na Germânia, nas quais alcançou grande prestígio.

Em 91 foi nomeado cônsul por Domiciano. O imperador Nerva adoptou-o como seu sucessor e, com a morte daquele, em 98, ele foi nomeado imperador. Os pretorianos apoiaram esta escolha.

Foi o imperador sob o qual o Império Romano atingiu sua máxima extensão. Após este período, com seu filho adoptivo Adriano no poder, o controlo dos vastíssimos territórios conquistados (de Portugal ao reino Persa, da actual Inglaterra ao Egipto), passou a ser prioridade fundamental.

As províncias do Império Romano na sua máxima extensão

O imperador Trajano, sendo filho da distante província espanhola, portanto, foi o primeiro imperador que não era natural de Roma, abrindo o caminho para uma nova era, onde a participação cidadã romana nos altos escalões do império passou a ser bem mais abrangente.

Além disso realizou novos projectos arquitectónicos e reformas na educação e agricultura, aqueductos, etc. Muitas obras públicas foram realizadas, inclusive uma nova parte da Via Ápia.

Foi um bom administrador. Foi considerado por muitos romanos da época como o maior dos imperadores (Optimus princeps).

Mas a sua política de conquistas gerou alguns danos à economia do império, reparados depois por Adriano. Trajano era, antes de tudo, um chefe militar.

Durante a fase final de seu reinado, dedicou-se exclusivamente à guerra e deixou boa parte da administração civil em mãos de terceiros.

As guerras contra os Dácios
Coluna de Trajano

Derrotou os Partos e os Arménios e lutou contra os Dácios (regiões dos países atuais da Roménia e da Hungria) em duas batalhas que são celebradas nas cenas em relevo da coluna de Trajano, em Roma (imagem ao lado).

As riquezas obtidas dos saques destas regiões conquistadas, que durante muitos anos haviam evitado, com sucesso, as tentativas de invasão de Roma, serviu grandemente para o financiamento de novas construções em Roma.

Em 101, Trajano começou sua primeira campanha de guerra contra os Dácios, um povo que vivia na actual Roménia, cujo líder era Decébalo. A guerra terminou no ano seguinte com a vitória romana na batalha de Tapae.

Entre 105 e 106, a segunda Guerra dos Dácios, durante a qual os romanos tomaram a capital dácia, Sarmizegetusa, e anexaram a Dácia como província do império.

Estas guerras se refletem na coluna de Trajano, que se levantou juntamente com o Fórum (Fórum de Trajano), onde foi colocada para celebrar a vitória.

Aproximadamente ao mesmo tempo, se integrou sem luta ao império o reino dos nabateus, convertendo-se em província romana com o nome de Arábia Pétrea.

As guerras contra os partos

Em 113 Trajano começou uma guerra vitoriosa contra os Partos; Arménia, Assíria e Mesopotâmia foram integradas no Império. Este alcançou com as conquistas sua máxima extensão. Problemas logísticos, rebeliões e uma enfermidade foram os impedimentos para conquistar mais territórios além destes limites.

Trajano morreu na viajem de volta da campanha parta, em Selinus, perto do Mar Negro, no dia 8 de agosto de 117.

Governo liberal

As prolongadas campanhas de guerra não impediram Trajano de levar a cabo alguma política interior, motivo de acendidos elogios na historiografia romana, porta-voz da opinião do Senado, uma antiga instituição que reunia em seu seio a aristocracia e queria o poder de que havia gozado no regime republicano anterior a instauração do Principado por Augusto. A ascensão ao poder de Trajano supôs para o senado a recuperacão da liberdade perdida, «um tempo novo», disse Plínio.

Com a colaboração do Senado, onde introduziu o voto secreto, Trajano trouxe um plano de regeneração moral e política que teve consequências na administração, na justiça e na economia. Peocupou-se por aumentar os recursos do fisco, com o fim de levar a cabo sua política de construções e melhoras da infraestrutura.

Seria também o impulsor de um plano de ajuda aos propietários agrícolas consistente na concesão de crédito abaixo do interesse e cuja originalidade consistia em que os interesses que se cobravam se destinavam a alimentação das crianças de condição livre.

Construções

Realizou construções para facilitar a romanização e melhorar as condições de vida dos cidadãos: abriu caminhos em terras distantes, criou novas vias, aqueductos e pontes, entre os que destaca o que fez sobre o Danúbio para facilitar a conquista da Dácia.

Levantou edificações que, além de contribuirem para a perpetuação de sua memória, buscavam o embelezamento da urbe e, um aumento nas possibilidades de diversão dos romanos; teatros, circos, etc.

Contou com os serviços do arquitecto Apolodoro de Damasco. As obras que se levantaram em tempos de Trajano foram obras de este arquitecto. Foi Apolodoro quem desenhou o célebre Panteão de Adriano.

Sucessão

Antes de sua morte em 117, adoptou a seu sobrinho Adriano, que o sucedeu no trono. Acredita-se que Plotina tenha desempenhado um papel decisivo; na época circularam rumores que Plotina teria assinado o decreto de adopção já depois da morte do marido (post mortem).

A titulação completa de Trajano no momento de sua morte era: Imperator Caesar Divi Nervae filius Nerva Traianus Optimus Augustus Germanicus Dacicus Parthicus, Pontifex maximus, Tribunicia potestate XXI, Imperator XIII, Consul VI, Pater patriae

Morreu provavelmente de um ataque cardíaco durante sua viagem de volta a Roma em 117.

Temas relacionados

A ponte romana de Chaves, a Ponte de Trajano.

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