arqueo.org — o Portal da Arqueologia Ibérica, sem obscurantismo e religiosidade
200

Sites do mesmo autor:

Pandemia de Gripe

Tipografia

Turismo na Natureza

Bracara Augusta (Braga)

Bracara Augusta, situada na actual cidade de Braga, foi construída no lugar de um povoado indígena anterior.

Visite o Museu de Braga!

O primeiro contacto entre os bracari e os Romanos deu-se entre 138-136 a.C., no âmbito de expedições de reconhecimento militar. Desde então, e até à fundação da cidade de Bracara Augusta (16-15 a.C.), esta região viveu um clima de paz que favoreceu o desenvolvimento, pelo que o comércio em grande escala, proporcionado pela integração no Império romano, abriu novas oportunidades de expansão e negócio.

A cidade romana foi fundada pelo imperador César Augusto cerca de 16 aC, após a pacificação definitiva da região.

Durante o período dos Flávios, Bracara Augusta recebeu o estatuto municipal e foi elevada a sede do conventus, tendo tido funções administrativas sobre uma extensa região.

A partir da reforma de Diocleciano passou a ser a capital da recente província da Galécia. No século V a cidade foi tomada pelos invasores suevos, que a escolheram como capital do seu reino.

São conhecidos da cidade da época romana os restos de alguns edifícios. Nas escavações efectuadas no claustro do Seminário de Santiago encontrou-se uma grande sala com resto de colunas, tendo ao centro uma piscina decorada com mosaicos, que foi provavelmente parte de um balneário.

Bracara Augusta
Peça romana exposta no Museu Arqueológico de Braga
Balneários públicos

Em escavações realizadas pela Universidade do Minho foram descobertas balneários públicos.

O edifício do Alto da Cividade foi descoberto no decorrer de trabalhos arqueológicos realizados em 1977. Foi identificado parte de um edifício de banhos públicos.

 
Termas públicas do Alto da Cividade.

Na colina do Alto da Cividade situa-se um vasto edifício público, até agora o único conhecido em Braga, com funções de balneário. Erguidas na segunda metade do séc. I, estas termas aproveitaram parte da estrutura de um edifício anterior, datado do tempo de Augusto, ou do período Júlio Cláudio. As termas públicas, quase sempre mantidas graças ao cuidado dos municípios e ao trabalho dos escravos, eram edifícios sujeitos a grande degradação, o que explica as suas frequentes remodelações. Esse foi, também, o caso do edifício das termas do Alto da Cividade, que regista várias reparações e uma profunda remodelação, ocorrida nos finais do séc. III/inícios do IV, que alterou profundamente a organização dos seus espaços. O edifício parece ter mantido a função de balneário público até ao séc. V.

Interrompidas durante a década de 80, as escavações foram retomadas nos anos 90 e concluídas em 1999. Foi possível verificar os limites do edifício, estabelecer a sucessão das principais fases construtivas, perceber o esquema de circulação e reconstituir a sua arquitectura e volumetria.

Estes banhos mostram como funcionavam estes edifícios romanos. Possuía um conjunto de espaços fechados, reservados aos banhos quentes e frios e às massagens, podendo possuir igualmente áreas abertas, chamadas palestras, onde se praticavam exercícios físicos.

A tecnologia de aquecimento foi-se aperfeiçoando nos últimos séculos da República, acabando por recorrer ao sistema de hipocausto, desenvolvido no séc. I a.C.. Este sistema implica a existência de câmaras subterrâneas, ocas, situadas sob os pavimentos, por onde circulava o ar quente produzido numa fornalha, chamada praefurnium.

A água destinada às piscinas dos compartimentos quentes era aquecida em caldeiras, circulando em canos de chumbo. O normal funcionamento das termas exigia um espaço onde os banhistas se despiam (apodyterium), uma sala de banhos frios (frigidarium), uma sala de transição entre os banhos frios e quentes (tepidarium) e uma sala de banhos quentes (caldarium).

As termas do Alto da Cividade foram construídas nos inícios do séc. II, reaproveitando parte de um edifício anterior, datado da época de Augusto, ou de Tibério. Nos finais do séc. II / inícios do III, verificou-se uma primeira reforma do balneário, sendo ampliada e redefinida a área de banhos. A remodelação mais significativa ocorrerá, todavia, nos finais do séc. III / inícios do IV, aquando da transformação da anterior zona quente em zona fria.

As termas sofrerão uma nova reforma em meados do séc. IV, com novas remodelações na área quente, tornando-se o edifício ainda mais pequeno. Nos inícios do séc. V, época da instalação dos Suevos na região de Braga, o edifício terá sido adaptado a outras funções. A insegurança e os hábitos cristãos, pouco favoráveis à prática de banhos públicos, terão determinado o fim da utilização das termas.

Conjunto arqueológico das Carvalheiras

As amplas escavações realizadas no local, até 1986 e, posteriormente, entre 1990 e 1995, permitiram pôr a descoberto uma unidade habitacional, limitada por quatro ruas, que ocupa, por conseguinte, a totalidade de um quarteirão residencial de Bracara Augusta.

A única casa romana totalmente escavada até ao momento em Braga é um admirável exemplar da arquitectura urbana privada.

O módulo urbano identificado nas Carvalheiras acabou por permitir a definição da matriz do urbanismo da Braga romana e elaborar a primeira proposta de um traçado ortogonal para a cidade, que vem sendo confirmado noutros locais. Por sua vez, o estudo desta habitação forneceu indicadores do modo de construir em diferentes épocas.

A casa das Carvalheiras foi erguida na época flávia (último quartel do séc. I). O primitivo conjunto residencial corresponde a uma casa de átrio e peristilo. A habitação desenvolve-se em duas plataformas distintas, que solucionam de um modo hábil o pendor da vertente.

O desnível entre os dois tabuleiros é marcado por uma parede interna, que separa a plataforma mais alta, onde se situa o átrio e compartimentos envolventes, da plataforma mais baixa, que se desenvolve em torno do peristilo. O desnível exterior seria vencido por pequenos lances de escadas, nos pórticos e mesmo nalgumas ruas de maior inclinação.

Na primeira metade do séc. II, a casa das Carvalheiras sofreu uma primeira reforma, com a implantação de um balneário, que ocupou um quadrante da casa. Simultaneamente, toda a fachada oeste é remodelada, sendo mesmo sacrificado o pórtico e as lojas que anteriormente se desenhavam nesse lado da casa.

A habitação sofreu outras reformas, ainda mal definidas, anteriormente aos finais do séc. III / inícios do IV, tendo sido definitivamente abandonada em finais do séc. IV / inícios do V.

Deuses Romanos

Os deuses do Panteão romano estão bem representados em Bracara Augusta, através de vários altares. Foram venerados Júpiter, Marte, Esculápio e Hígia, Evento e Mercúrio.

Embora não se conheça qualquer referência epigráfica à deusa Minerva, sabemos que a sua imagem foi venerada em vários locais da cidade.

O culto dos Génios está representado por uma inscrição ao Genius Macelli (Génio do Mercado), o que ilustra bem a importância da actividade comercial da cidade.

Os Lares também estão testemunhados, embora apenas na forma de Lares Viales.

Cultos Indígenas

Entre os deuses indígenas, venerados em Bracara Augusta, encontra-se Nabia, uma das divindades mais honradas em território nacional.

Vários testemunhos apontam para a veneração dos deuses Tongoenabiagus (homenageado na Fonte do Ídolo, situada na actual Rua do Raio e fora do antigo perímetro da cidade romana), Senaico, Ambiorebi, Ambieicer e Frovida.

Cultos Orientais

Testemunho da importância dos cultos orientais, que lentamente se impõem no Império, é a inscrição dedicada à deusa Isis.

O culto de Mitra, embora não testemunhado por inscrições, poderá ter sido praticado em Bracara Augusta.

O período visigótico/suevo

Após a conquista do Império Romano pelos bárbaros, Bracara Augusta tornou-se na capital política e intelectual do reino dos Suevos, que abarcava a Galiza e se prolongava até ao Rio Tejo.

Por ordem do rei Ariamiro foi realizado o Concílio de Braga, entre 1 de Maio de 561 a 563, tendo sido presidido por São Martinho de Dume, bispo titular de Bracara.

Deste concílio resultaram grandes reformas, principalmente no mundo eclesiástico e linguístico, destacando-se a criação do ritual bracarense e a abolição de elementos linguísticos pagãos, como os dias da semana.

Posteriormente, com o declínio do reino dos Suevos, foi dominada pelos Godos, durante mais de três séculos.

No ano de 716, os Mouros alcançam a cidade e provocam grande destruição na mesma, dada a sua importância religiosa. Na época, foi também palco de várias guerras, destruições e saques.

Mais tarde, foi reconquistada por Afonso III, Rei das Astúrias.

Museu Arqueológico de Braga

Glossário

m
 

topo da páginaTopo da página

Quer usar este texto em qualquer trabalho jornalístico, universitário ou científico? Escreva um email a Paulo Heitlinger.

copyright by algarvivo.com/comunicacao