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A cidade de Balsa (Tavira)

Situava-se sobre a via que ligava Baesuris a Ossonoba, perto da povoação de Tavira. As ruínas ocupam uma área compreendida entre a Quinta de Torres de Ares, a Quinta do Arroio e o sapal limitado pelo canal de Tavira.

Balsa foi uma cidade romana, que existiu na freguesia de Luz (concelho de Tavira, distrito de Faro), nos terrenos litorais hoje designados por Torre d’Aires, Antas e Arroio, tendo Pedras d’El-Rei, Luz, Rato e Pinheiro como subúrbios.

É citada nas listas de cidades do Império Romano (por Pompónio Mela e Plínio-o-Velho, no séc. I d. C. e por Ptolomeu, no séc. II), posteriormente como etapa de um dos Itinerários de Antonino (roteiro de estradas e rotas navais do séc. III) e, já após o fim do Império do Ocidente, na Cosmografia do Anónimo de Ravena (séc. VII, mas baseada em documentos mais antigos).

A história urbana de Balsa romana inicia-se no séc. I a. C. e termina no séc. V ou VI da nossa era. Teve o seu apogeu urbanístico no século II, chegando a ocupar uma área de cerca de 45 hectares, excluindo subúrbios e necrópoles.

Era assim uma cidade de considerável dimensão no Império Romano, muito acima da média urbana da província da Lusitânia, a que pertencia.

Destacava-se relativamente a Olissipo (Lisboa), Ossonoba (Faro) e Conimbriga (Condeixa-a-Velha, Coimbra), então respectivamente com 29, 28 e 23 ha, e era oito vezes maior do que os 5.5 ha da zona amuralhada de Tavira medieval!

Economia

Cidade portuária litoral, sede de civitas, isto é, de uma autonomia municipal, que abrangia todo o Algarve Oriental entre Bias e o Guadiana, cunhou moeda própria em meados do século I a. C., no início da ocupação romana efectiva.

Economia: www.arkeotavira.com/balsa/bcp-v1/r060-069.pdf

No século I d.C., Plínio designou este local como oppidum, mas o mesmo deve ter conhecido um notável desenvolvimento posterior, no tempo dos Flávios e, nessa altura, foi promovido a municipium.

Pelos documentos epigráficos presume-se que Balsa deve ter tido um circo. O território de Balsa contava com importantes recursos agrícolas, mineiros e florestais.

Às cidades do litoral algarvio chegam fortes influências do Mediterrâneo Central, sobretudo da Península Itálica, da Gália do Sul, e do Norte de África. As inscrições romanas de Balsa e Ossonoba dão conta da presença de uma elite mercantil que controlava as principais actividades económicas e que participam da plenitude dos valores romanos.

É essa rica burguesia que será responsável pela edificação de luxuosas villae - inspiradas em modelos itálicos como a villa de Adriano em Tivoli- que exploravam os campos, mas que também se dedicavam à exploração dos recursos marinhos.

É ainda essa burguesia, muito activa em Balsa, que vai patrocinar a construção de um circus do qual só se conhecem inscrições.

Para além da via longitudinal servir de mansio à via longitudinal do Algarve, daqui saía uma via para norte, muito activa na época medieval. Dessa via resta um extenso e bem conservado troço de calçada em Vale da Serra (Moncarapacho).

Links externos

balsa-romana.blogspot.com/

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Associação do Campo Arqueológico de Tavira

Publicações

Balsa, cidade perdida
Autor: Luis Fraga da Silva
Edição: Campo Arqueológico de Tavira e Câmara Municipal de Tavira
Ano: 2007 ISBN: 978-972-97648-9-9 Depósito Legal n.º: 258768/07.
Nº de páginas: 140 Formato: A4

Prefácio (extracto) Maria Luísa Affonso dos Santos, autora da obra "Arqueologia Romana do Algarve", escrevia em 1971 a respeito de Balsa: ”Desta cidade... já quase nada resta à vista. Quem hoje for à Torre de Ares fi cará decepcionado. Encontrará apenas uma vastidão de terreno a perder de vista, à beira do braço de mar, em parte cultivado, e uma pequena casa de campo que se ergue solitária num ambiente de calma e desolação. Abandonados no terreno jazem alguns fustes, uma ou outra pedra e inúmeros alicerces emergem à superfície. Eis o que perdura in loco da famosa Balsa.”

Hoje a situação é bem pior, pois os fustes desapareceram e os “inúmeros alicerces” que emergiam à superfície foram extensa e deliberadamente destruídos. A desolação antiga foi substituída pela desolação moderna dos campos cobertos de plástico, das vedações de propriedade e das grandes moradias. Este livro surge precisamente com o objectivo de revelar o que estava escondido ou já desapareceu da antiga cidade de Balsa, descobrindo um pouco do espesso véu de mistério que a cobre, apesar do muito que ainda permanece desconhecido ou hipotético. Ele ambiciona devolver a memória de Balsa ao leitor, cativando-o com a riqueza inusitada do espólio e história da antiga cidade e com a evocação dos seus habitantes e do seu aspecto antigo. Espera-se que a sua leitura possa contribuir para vencer o arreigado desconhecimento e velhos preconceitos sobre o local. A necessidade de um livro sobre Balsa tornou-se especialmente relevante nos últimos anos, por o tema se ter transformado também numa questão imobiliária. Grande parte da antiga cidade foi já destruída por trabalhos agrícolas e urbanizações. O que resta está em perigo de ter o mesmo destino devido aos apetites que a sua situação privilegiada desperta, embora se encontre em zona arqueológica classificada e no Parque Natural da Ria Formosa. O manancial de informação aqui apresentado poderá assim contrapor-se à ignorância e à cumplicidade dos interesses que prefeririam que Balsa permanecesse perdida e desconhecida. Neste sentido, os traços e achados agora divulgados desmontam lapidarmente as reiteradas tentativas de “desvalorização”, “confusão” e “relativização” do sítio arqueológico de Balsa, tanto mais que, apesar das destruições, permanecem ainda importantes zonas por explorar, virtualmente intactas. Espera-se, sobretudo, que a sua leitura contribua para consolidar o interesse activo sobre Balsa por parte do público cultivado, em que esperançosamente se incluem técnicos do património, decisores político-financeiros, professores e todos quantos podem agir, de algum modo, sobre o futuro do sítio, dos materiais, do estudo e do conhecimento de velha cidade.

Glossário —¦— Bibliografia

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