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A cidade de Baesuris (Castro Marim)Castro Marim nasceu sobre uma proeminente colina que dominava o estuário do rio Guadiana. Devido ao recuo do mar, hoje envolve-a uma das zonas húmidas mais importantes do país, onde chegam e nidificam milhares de aves de várias espécies.O sapal, o rio Guadiana e a serra como que se encontram em Castro Marim, da mesma forma que na antiguidade aqui se encontravam vias marítimas, fluviais e terrestres. O interior do seu imponente castelo guarda ainda muitos segredos de um passado mais ou menos longínquo, quando a colina funcionava como guardiã do Guadiana e do seu estuário rico em peixe. Baesuris, ou Esuri como aparece por vezes referido nos textos antigos, cunhou moeda no século I a.C., com motivos de peixes, barcos e espigas que nos dão uma ideia das actividades em torno dos quais esta cidade antiga nasceu e se desenvolveu. HistóriaUma das grandes preocupações do imperador Augusto foi a integração das províncias conquistadas no sistema político de Roma, através da construção de cidades e de estradas que ligariam os vários pontos do novo Império. Foi na sequência deste programa de obras públicas que se fez a via longitudinal do Algarve que ligava as cidades de Balsa (Luz de Tavira) e Ossónoba (Faro) aos restantes pontos do Império. Um marco miliário, encontrado em Bias do Sul (Fuzeta) e que indicava a distância a percorrer até Ossonoba, testemunha a importância da via. Também o Itinerário de Antonino, um documento do século III que apresenta os principais itinerários entre as cidades romanas, se refere a esta via que, ligando aquelas cidades algarvias, se dirigia para o norte em direcção às grandes cidades romanas de Pax Iulia (Beja) ou Olissipo (Lisboa). Diz-nos aquele documento que a saída do Algarve para norte se poderia fazer por duas vias a partir de Baesuris (Castro Marim): uma que se dirigia para Myritilis (Mértola) paralelamente ao rio Guadiana num traçado semelhante à actual estrada que parte de Castro Marim; outra que chegando a Ossónoba inflectia para norte atravessando a Serra do Caldeirão. Durante a campanha arqueológica de 1989 foi descoberto um grande concheiro constituído exclusivamente por Murex brandaris, o mlolusco usado para produzir púrpura. |
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