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«Que a terra te seja leve»

Integrada no programa comemorativo do 150º aniversário do nascimento do arqueólogo José Leite de Vasconcelos, foi inaugurada a exposição "Que a Terra te Seja Leve", no Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa.

A mostra apresenta os rituais funerários romanos e paleocristãos. A morte tem sido sempre um mistério para as sociedades humanas e o modo de lidar com o fim da vida é diferente de cultura para cultura. Para os romanos, Sit tibi terra levis significa "Que a terra te seja leve", "se conservas ainda uma existência subterrânea".

No Cristianismo, a expressão usada é Requevit in pace, "descansa em paz", porque se acredita na ressurreição. Da Roma pagã à fé cristã, os rituais da morte são documentados.

Nesta exposição, podem ver-se necrópoles romanas e paleocristãs que foram identificadas em duas fases diferentes pelos arqueólogos José Leite de Vasconcelos e Manuel Heleno.

"Em 1902 e 1903, Leite de Vasconcelos fez as escavações em Fraga (Marco de Canavezes) e aqui o ritual dominante era a cremação", disse Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia. "Que a Terra te Seja Leve" mostra também um conjunto de achados arqueológicos em cerâmica.

José Leite de Vasconcelos (1878-1941), foi o fundador e primeiro director do museu. Manuel Heleno foi o segundo e identificou as necrópoles em Silveirona (Estremoz) em 1934, onde predomina o ritual da inumação.

A exposição pode ser visitada no Museu Nacional de Arqueologia até 31 de Dezembro de 2008.

Comissariada por Carlos Fabião, Mafalda Dias e Mélanie Cunha, a exposição ficará patente até ao final do ano, apresenta os materiais de duas necrópoles uma do Douro (escavada por Vasconcelos, no início do século XX, faz agora 100 anos), outra do Alentejo (escavada por Manuel Heleno, em meados do século XX).

Até hoje, os materiais permaneceram inéditos. Foram objecto de duas teses de mestrado, recentemente, orientadas por Carlos Fabião. A mostra faz a divulgação de duas necrópoles romanas que foram escavadas em distintas fases da vida do MNA e que espelham o alcance e limitações do registo arqueológico.

Arquivo

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