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Povoados neolíticosCastelo Belinho, PortimãoNo Castelo Belinho, no interior do concelho de Portimão, Mário Varela Gomes descobriu vestígios de habitações de planta rectangular, sepulturas, silos e outras estruturas do Neolítico antigo. No Castelo Belinho habitaram populações num período cerca de 4.500 a.n.E., como indicam as datações por C14 de algum espólio encontrado durante as escavações. Já baseado numa economia de produção, o povoado neolítico foi construído num cerro entre a Serra de Monchique e o mar. Nas escavações, os arqueólogos encontraram instrumentos de pedra «capazes de abater a floresta que então cobriria esta zona», para desbravar terras para a agricultura. Foram encontradas enxós e machados, alguns de grande dimensão. O ritual funerário Junto às habitações enterravam-se os mortos numa espécie de bolsas escavadas na rocha calcária, em forma de silo; estas fossas funerárias tinham uma forma de ovo. Os defuntos eram colocados de lado, em posição fetal, com as pernas e os braços dobrados contra o peito. Eram acompanhados de espólio: vasos cerâmicos e pequenos artefactos líticos, como enxós e machados de pedra polida. A mais interessante descoberta nestes silos de enterramento foi a de um homem jovem, que tinha nos braços não uma, mas 22 braceletes feitas com conchas de um grande bivalve, o Pé-de-burro, que hoje, 6.500 anos depois, já não se encontra na costa algarvia. Em todo o país, diz Mário Varela Gomes, «apenas foram encontradas 18 ou 19 braceletes deste tipo. Aqui só um indivíduo tinha 22!» Uma riqueza de adornos que traduz um estatuto social diferenciado para este jovem. Além dos silos com os enterramentos e de outros que serviam para guardar alimentos, no povoado do Castelo de Belinho foram também encontradas «fossas de oferendas, constituídas por restos de alimentos e artefactos», revelou Mário Varela Gomes. Esta «casas» não eram de planta circular, como têm sido encontradas noutros sítios do Neolítico, alguns ali bem perto, mas de habitações de forma rectangular, alongada, suportadas por postes de madeira. Estão bem à vista os buracos arredondados onde encaixavam os postes, alguns ainda com as cunhas de pedra que os ajudavam a manter direitos, alinhados em filas. Eram casas com 10, 15, 20 metros de comprimento, de um tipo que, na Península Ibérica, apenas tem sido encontrado na Catalunha, no Norte de Espanha. Estas casas longas, ao contrário das circulares, são típicas da Europa Atlântica e do Norte. Que estes habitantes se relacionavam com outras populações, prova-se com alguns artefactos fabricados com matérias-primas com origens longínquas, nomeadamente sílex da actual Estremadura, na zona de Rio Maior. Mas havia também materiais mais próximos, como o grauvaque da costa atlântica do Algarve. |
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