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Anta Grande do Zambujeiro
Anta Grande do Zambujeiro: um Monumento Nacional?É difícil reconhecer as colossais dimensões da Anta Grande do Zambujeiro na imagem. Os esteios de granito têm cerca de 6 metros de altura e pesam cada um várias toneladas. A arqueóloga alemã Philine Kalb, que investiga há longos anos os dólmenes no Alentejo, descreve na obra Sternstunden der Archäologie, Funde in Portugal em algum pormenor como foi descoberto e escavado este colosso. Aqui um breve resumo: A Anta do Zambujeiro é constituída por uma gigantesta mamoa que envolve uma câmara poligonal e um corredor longo, abrindo em átrio para o exterior. A tampa, ou seja a placa que cobria o topo da anta, e que estava debaixo da mamoa de 6 metros de altura, foi dinamitada por uma empresa de exploração de pedreiras. Quando rebentou a colossal pedra chapéu (os resultados ainda hoje estão bem visíveis no sítio), apareceu uma abertura. Por aí entraram os trabalhadores, tirando placas de xisto e cacos de cerâmica do interior da cripta funerária. O mestre de escola Henrique Leonor Pina foi chamado de Montemor-o-Novo; Pina tinha alguma experiência em antas, mas não era arqueólogo profissional. Demorou de 1965 a 1969 para pôr a descoberto a enorme anta. A cripta estava blo-queada por um dos esteios pesando toneladas; esta pedra já tinha caído em tempos pré-históricos. Sorte na má-sorte: a pedra tombada selou a cripta até os arqueólogos entrarem em 1965. Nenhum caçador de tesouros teria tido a chance de entrar na cripta. Hoje sabemos que a pedra à esquerda do corredor foi transportada do seu sítio de origem distante de mais de 8 km as outras pedras vieram de pedreiras mais próximas. Visto a terra que define o tumulus com um diâmetro de 50 metros (!) ter sido retirada da zona mais chegada à arquitectura de granito, a anta está provisoriamente protegida das intempéries por um horrível telhado de chapa de zinco. Não valeu de muito a classificação como Monumento Nacional; o dólmen, bem acessível ao público, tem sido continuamente vandalizado, as paredes estão cheias de graffittis; xâmanes «New Age» tem acendido vários «fogos rituais» no interior da cripta. Recentemente, a entrada foi barrada com uma porta ... de madeira. Esta construção megalítica é uma das mais valiosas jóias pré-históricas de Portugal; merece um tratamento digno de Património para a proteger de futuros assaltos e actos de vandalismo. O vasto espólio recolhido por incompetentes arqueólogos amadores vasos de cerâmica, contas e adornos, pedras ver-des, lâminas e pontas de setas em sílex e cristal de rocha, instrumentos de cobre, placas de xisto gravadas, etc. encontra-se «arrumado» em caixas-arquivo num armazém do Museu de Évora e merece, sem dúvida, um ambiente mais digno, num museu arqueo-lógico. Bibliografia |
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