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A agricultura
A agricultura teve o seu berço na zona do Crescente Fértil, região hoje ocupada, entre outros, pelo Iraque, Irão e Egipto e onde surgiram as primeiras civilizações. Os povos semi-nómadas das estepes e das franjas do deserto da Península Arábica e da Síria, que se fixaram nas margens férteis dos rios Tigre, Eufrates e Nilo, contribuíram para converter esta região na mais rica e próspera da antiguidade e estiveram na génese daquelas primeiras civilizações. Até então, o homem era caçador-recolector
(etapa do Há cerca de 10.000 anos ocorreu a transição da caça-recolecção para a recolha dos cereais bravios e há 8.000 anos atrás os primeiros povos sedentários estavam já dependentes da cultura dos primeiros cereais e dos primeiros animais domesticados. O aparecimento da agricultura no Crescente Fértil resultou de diversos factores, como o clima, o relevo, a fauna, a flora e o desenvolvimento das sociedades humanas, dos quais merecem destaque os seguintes aspectos:
. As primeiras culturas domesticadas (trigo, cevada, ervilhas e lentilhas) desenvolveram-se a partir de plantas bravias que revelavam características que motivaram a sua preferência por parte do homem. Destas características destacam-se: i) a comestibilidade, ii) a abundância, iii) o fácil cultivo, iv) o rápido crescimento, v) a elevada taxa de auto-polinização e vi) a ocorrência rara de polinização cruzada entre indivíduos da mesma espécie ou espécies aparentadas. A auto-polinização permite a transmissão às gerações seguintes das características pelas quais foram seleccionadas (sabor, valor nutritivo e sementes de dimensões razoáveis). Por outro lado, a possibilidade de ocorrência de fenómenos de polinização cruzada permitiu o aparecimento de novas variedades com características úteis e que por isso foram seleccionadas positivamente pelo homem. Um desses exemplos terá sido o trigo duro, planta utilizada hoje em dia em larga escala pela indústria de panificação. O conjunto de alimentos de origem vegetal cultivado pelo homem era equilibrado do ponto de vista nutritivo. A grande variedade de cereais seleccionada constituía a principal fonte de hidratos de carbono e as leguminosas, juntamente com os primeiros animais domésticos, supriam as necessidades proteicas. Os animais forneciam, também, lã, couro e auxílio nas tarefas agrícolas. Estes factores favoreceram o estilo de vida sedentário face à caça-recolecção, pois a referida selecção de alimentos rapidamente se tornou mais abundante e nutritiva do que o pacote alimentar do modo de vida anterior. Esta agricultura, apesar de primitiva e intuitiva, assentou numa selecção artificial que conduziu a uma evolução dirigida e não natural. O homem, empiricamente, induziu o aparecimento de novas variedades, o que apenas foi possível porque as espécies ancestrais apresentavam estruturas genéticas semelhantes. Desde o seu aparecimento até à revolução industrial, a agricultura sofreu transformações pouco significativas. |
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