Museus arqueológicos em Portugal e Espanha
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Museu Geológico, Lisboa

Este Museu tem um longo historial marcado por alguns dos pioneiros da Geologia e da Arqueologia portuguesas.

Localização: O Museu Geológico está instalado no 2º andar do edifício do antigo Convento de Nossa Senhora de Jesus da Ordem Terceira de S. Francisco, em pleno coração do Bairro Alto, em Lisboa.

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Foi o primeiro museu a ser criado em Portugal dedicado à Geologia e à Arqueologia e integrado nos organismos que a nível nacional têm vindo a cartografar e investigar a infraestrutura geológica portuguesa (Comissões Geológicas, Serviços Geológicos de Portugal e Instituto Geológico e Mineiro).

A história do Museu Geológico está intimamente ligada à da Comissão Geológica, criada em 1857, e dos vários organismos oficiais que lhe sucederam.

Aquela Comissão Geológica, dirigida por Carlos Ribeiro e Pereira da Costa, foi instalada no edifício, em Abril de 1859, onde funcionava já a Real Academia das Ciências e onde ainda hoje permanece o museu.

Iniciou-se então um período de intensa actividade que conduziu, em 1876 à publicação da primeira Carta Geológica de Portugal na escala 1:500.000, uma das primeiras a nível mundial, reeditada em 1899.

Esta actividade teve como consequência a colheita de milhares de amostras, que à medida que iam sendo estudadas, classificadas e publicadas, iam sendo incorporadas no maior arquivo estratigráfico e paleontológico até hoje constituído em Portugal e que constitui o principal acervo deste museu.

Em 1918 deu-se a reestruturação que deu origem aos "Serviços Geológicos de Portugal", prestigiado organismo que, juntamente com o Serviço de Fomento Mineiro e a Direcção Geral de Geologia e Minas passaram a constituir, nos anos noventa, o Instituto Geológico e Mineiro.

Em 2003, dá-se nova reestruturação e este Instituto é extinto e passa a fazer parte do INETInovação. Sublinhe-se que com esta mudança, Portugal que tinha sido dos primeiros países do mundo a terem um "Serviço Geológico", é agora o único da Europa a não possuir um organismo autónomo na área das Geociências — facto insólito e absurdo, típico da incoerência da Administração Cultural e científica de Portugal

O desaparecimento dos grandes pioneiros da Geologia e da Arqueologia portuguesas, aliados a dificuldades funcionais de vária ordem levaram ao declínio temporário da actividade, reabilitada em meados dos anos quarenta com novas dotações financeiras e materiais, e com a abertura do serviço a colaboradores externos.

Georges Zbyszewski, do quadro dos Serviços Geológicos e Carlos Teixeira da Universidade de Lisboa, revelaram-se os grandes impulsionadores do principal projecto dos Serviços, a cartografia sistemática do país a escalas mais detalhadas, trabalho de que resultou um aumento muito significativo das colecções do museu, que foi acompanhado por uma importante remodelação dos equipamentos e exposições existentes à data.

A partir de 1975, os Serviços Geológicos de Portugal experimentaram um notável desenvolvimento da sua actividade, graças aos meios financeiros e humanos disponibilizados. Este facto permitiu aumentar substancialmente o conhecimento geológico do território, acelerar o ritmo de publicações das cartas geológicas, bem como alargar o seu âmbito aos domínios da hidrogeologia e da geologia marinha.

Na área da Arqueologia, além de G. Zbyszewski e de O. da Veiga Ferreira, foram muitos os autores de trabalhos cujos materiais muito enriqueceram as colecções do Museu Geológico. Destacam-se os irmãos Fontes, Abel Viana e Henri Breuil, na primeira metade do século XX , e Afonso do Paço, H. Vaultier, M. Leitão, C.T.North e Norton, até aos anos setenta.

Em 2003, o Museu Geológico passou a estar integrado na Rede Portuguesa de Museus, dadas as suas características museológicas, científicas e históricas.

Arqueologia

Um acervo de mais de 100 000 peças cobrindo, praticamente, todas as etapas cronológico-culturais entre o Paleolítico e o período Lusitano-Romano.

Do conjunto destacam-se a ampla representação do Paleolítico Inferior e Médio, um dos melhores espólios mesolíticos europeus e uma vasta representação do mobiliário fúnebre de diversas grutas e de monumentos megalíticos do nosso território. Merece também referência o conjunto de artefactos ligados à exploração mineira romana (séc- I - III), de que se destaca a placa de bronze inscrita, proveniente de Vipasca (Aljustrel) e os materiais em esparto (cesto, chapéu e sola de sandália).

Iniciada com as colheitas de Carlos Ribeiro na região da Ota e de Muge, no século XIX, correspondem-lhe vários períodos de significativa incorporação de peças, intimamente ligados a grandes nomes da arqueologia portuguesa nomeadamente Joaquim Fontes, Henri Breuil, Abel Viana, Georges Zbyszewski, Afonso do Paço e O. da Veiga Ferreira, entre tantos outros.

Refira-se que é sobre os materiais que constituíram parte do embrião destas colecções, o espólio dos concheiros de Muge descobertos por C. Ribeiro em 1863, que F. Pereira da Costa redige a primeira monografia arqueológica publicada em Portugal, que intitulou "Da existência do homem em epochas remotas no valle do Tejo" (C.S.G., Lisboa, 1865).

Durante muitos anos, a colecção de Arqueologia pré-histórica do Museu Geológico foi a única disponível aos investigadores desta área e, que continua a ser, no conjunto do país, uma das poucas colecções gerais de Pré-história, abrangente e acessível aos diversos públicos. No que respeita à exposição, deve dizer-se que esta foi recentemente objecto de requalificação, trabalho que beneficiou de subsídio concedido pelo Instituto Português de Museus.

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