|
|||||||
| arqueo.org o Portal da Arqueologia Ibérica, sem obscurantismo e religiosidade | |||||||
|
|
A cultura castrejaReconhecida pelos seus povoados amuralhados no topo de montes, com casas circulares, e pela sua cerâmica, esta cultura termina com a aculturação romana e com a movimentação das populações para a planície litoral, onde a forte presença dos Romanos, a partir de século II a.C., é visível nos vestígios das villas romanas.
Um castro é um tipo de povoado existente na Península Ibérica, característico da Idade do Ferro, de tipo defensivo, com estruturas predominantemente circulares, revelando desde cedo a implementação de uma «civilização da pedra», quer nas zonas de granito ,quer nas de xisto. Uma cividade (substantivo feminino antigo de cidade) ou citânia é um castro de maiores dimensões e importância, habitado continuamente. Além de terem relevância militar, eram também centros comerciais e artesanais. Segundo Jorge de Alarcão «aos castros, deram os Romanos o nome de castella, que aparece nas inscrições do século I d.C. sob a forma abreviada de um C invertido [...]» No Norte de Portugal e de Espanha, desde os finais da Idade do Bronze e até à conquista de Roma, formou-se a cultura castreja dos povoados fortificados de dimensão variável, por vezes com as funções próprias de lugares centrais. A característica mais típica dos castros é a sua fortificação. Os habitantes terão escolhido passar a viver no monte como meio de protecção contra os saques e pilhagens levados a cabo por tribos rivais.
Um milhar de povoados!A zona nuclear castreja corresponde a toda a Galiza e à região de Entre-Douro-e-Minho que confina a leste com a área ocupada pelos povos da etnia Zoela e para além do rio Sabor. Existe uma grande densidade de castros no Alto Minho, em especial nos territórios dos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Paredes de Coura, Viana do Castelo, Ponte de Lima e Esposende. Na bacia do Ave-Vizela existe um maior conjunto de castros de grandes dimensões: a Citânia de Sanfins, a conhecida Citânia de Briteiros, a Cividade de Bagunte, o Castro de Alvarelhos e ainda nas proximidades, a Cividade de Terroso. Em prospecção sistemática, Martins Sarmento deu conta da densidade da ocupação castreja, identificando os principais povoados de Entre- Douro-e Minho, com mais minúcia no litoral do Minho e em torno de Guimarães. Cem anos depois, pode contabilizar-se cerca de um milhar de povoados fortificados para a generalidade do território do Norte de Portugal. A sua distribuição permite visualizar o perfil da ocupação das comunidades indígenas pré-romanas. Afastado dos centros-motores do Mediterrâneo Central e da Europa temperada, onde ocupava posição nuclear o complexo nortealpino ou Céltica, segundo a designação de Heródoto, à primeira vista, fica a impressão de que este território ocidental, estando incorporado nas zonas periféricas da Europa, se terá desenvolvido em ritmo muito lento. Um vasto registo de elementos de carácter exógeno manifestam um quadro de relações de longo curso, suavizando a imagem de isolamento que, a partir de alusões clássicas, se foi divulgando como índice de uma área marginal. Sintetizando trabalhos anteriores, na sequência cultural poderão definir-se três fases, que cobrem o primeiro milénio a.C. e grande parte do século I d. C.
A sua primeira parte (IA) situa-se entre 1000 e 700 a. C. e o seu desenvolvimento (IB) durante os séculos VII e VI a. C., revelando crescentes contactos interiores e meridionais. Por vezes reocupando instalações anteriores, verificou-se, em geral, uma implantação ex novo dos povoados em pontos estratégicos situados segundo uma diversidade topográfica, com realce para posições em remates de esporões, de altitude média, visando primordialmente o controlo das bacias fluviais, em relação com as zonas de aptidão agrícola e exploração de recursos naturais, nomeadamente mineiros, como o estanho e o ouro, e o acesso a vias de penetração e comercialização, revelando integração num sistema económico de largo espectro. |
||||||
Quer usar este texto em qualquer trabalho jornalístico, universitário ou científico? Escreva um email a Paulo Heitlinger. |
|||||||
|
|
|||||||