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Alto das EirasA investigação arqueológica levada a cabo no concelho de Vila Nova de Famalicão permite remontar os primeiros vestígios das comunidades aí implantadas a contextos da Pré-história recente, que lhe determinaram um fácies rural, consagrado pela herança medieva da Terra de Vermoim, pervivente até à fase da industrialização, marcante da sua modernidade. Descobrindo sítios, revelando monumentos, escavando povoados, salda-se já como resultado um minucioso inventário de numerosas situações arqueológicas, que permite delinear uma criteriosa sequência cronológica e cultural das origens do seu povoamento, de que se expõe uma selecção representativa. Particular realce merece a época proto-histórica, que representa um dos momentos mais importantes da formação do seu fundo demográfico e do processo de ocupação e organização do território durante o I milénio a.C., com destaque para a escavação de alguns dos seus castros e sobretudo a excepcional (re) descoberta dos banhos do Alto das Eiras. A singularidade destes monumentos tornou-se um desafio de Arqueologia experimental, reconstituindo a sua estrutura para ensaio de seu funcionamento e debate científico, nos contextos da antropologia das comunidades indígenas do Noroeste peninsular.
Destinados a banhos públicos, sobressaem pelo seu aparato e técnica construtiva como construções singulares do conjunto arquitectónico castrejo, de que se conhecem diversos exemplares por todo o Noroeste da Península Ibérica, desde o Norte da Galiza e Astúrias à margem esquerda do rio Douro, de acordo com Estrabão (c. 60 a.C. - 25 d.C.). Estas criações arquitectónicas pré-romanas, com possível origem em "cabanas de sudação" de materiais perecíveis, foram monumentalizadas na fase proto-urbana da cultura castreja (séc. I a.C. - I d.C.). A sua função foi objecto de controvérsia, tendo sido vulgarizados como «fornos crematórios», postos em relação com o rito funerário dos povos castrejos. Esta e outras hipóteses, como a de fornos de cozer pão ou cerâmica ou de fundição ou ainda a de matadouros de animais, que lhes foram atribuídas sem o devido fundamento, devem ser abandonadas perante a consolidação da sua interpretação como banhos, associados a uma envolvência religiosa. Uma fogueira acesa na fornalha, com ventilação pela entrada da câmara e chaminé a activar a combustão, proporcionava o aquecimento do ambiente e dos seixos, sobre os quais se lançava água fria para produzir vapor.
A preparação do banho tinha lugar no átrio, onde, despidos, se untavam com óleos. Passando por uma área tépida, entrava-se pela Pedra Formosa na câmara, onde se permanecia, em sudação, enquanto durasse o vapor. Depois, tomava-se um banho de imersão, frio e regenerador, no tanque do átrio e oleava-se pela segunda vez. Por fim, tempo de recuperação e relaxamento na ante-câmara, com repetição do ritual. Testemunhos arqueológicos e literários do mundo indo-europeu e paralelos etno-arqueológicos das mais diversas partes sugerem a sua relação com rituais iniciáticos, associados aos ciclos vitais, sob o patrocínio de Nabia, divindade indígena com funções similares às exercidas pela Fortuna romana, propiciadora de saúde, vigor, fertilidade e abundância. Exposição "Pedra Formosa - Arqueologia Experimental em Vila Nova de Famalicão" O Mundo dos Castros Conquista Lisboa; 200 toneladas de granito para reconstruir nos Jerónimos; Um balneário castrejo em tamanho natural. Próxima exposição do Museu Nacional de Arqueologia, realizada em parceria com a Câmara Municipal de Famalicão e tendo como comissário científico Armando Coelho Ferreira da Silva a inaugurar dia 28 de Março de 2007 |
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