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Vilas Boas (1724-1814)

O primeiro arqueólogo português; teólogo católico obscurantista. As suas colecções fazem hoje parte do Museu de Évora.

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Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas — coleccionador de antiguidades e bibliófolo —, foi o primeiro a utilizar a escavação arqueológica, começando a escavação da Oppidum de Cola (próximo de Ourique, Alentejo).

Apresentou as suas descobertas na obra Monumenta Linguæ Iberæ, publicada em 1793.

Abraçando as ideias iluministas da época, o “bispo arqueólogo” Vilas Boas colaborou activamente nas reformas pombalinas do ensino público inspiradas por Verney.

Cabe a Vilas Boas o mérito de ter aberto em Beja, em 1791, o primeiro museu público português de Arqueologia – o Museu São Sisenando. Os seus numerosos livros e antiguidades vêem a constituir os núcleos fundadores da Biblioteca Pública de Évora e do actual Museu de Évora.

A Vilas Boas se deve também a identificação e o estudo de numerosas lápides com inscrições ibéricas.

Cenáculo era sócio honorário da Academia Real das Ciências; e na sessão pública de 24 de Junho de 1814, pronunciou o académico Francisco Trigoso de Aragão Morato o Elogio Historico de Fr. Manuel do Cenaculo.

Foi fundador de várias bibliotecas. A do convento de Jesus em Lisboa, hoje da Academia Real das Ciências, foi por ele fundada; à Biblioteca Pública de Lisboa deu presentes, no Palácio episcopal de Beja fundou uma biblioteca de 9.000 volumes (!), que deixou, quando partiu para Évora.

Nesta cidade fundou duas, uma pública, que é a actual biblioteca eborense, outra rica em raridades históricas e bibliográficas, e em medalhas e outras preciosidades.

Pedro Calafate: «Sobre um pano de fundo ecléctico, comum aos teóricos portugueses da 2.ª metade do séc. XVIII e, em boa medida, às várias correntes europeias das «Luzes», Cenáculo manifestará um gosto enciclopédico que transformava a Filosofia num «meio omnicompreensivo», abarcando todas as áreas do saber.

Esta atitude ecléctica traduzia-se numa apertada crítica ao chamado «espírito de sistema» deixando transparecer uma concepção da Razão enquanto actividade dinâmica, no quadro de um saber em permanente evolução e inter-relação; numa constante abertura à «inovação» em perspectiva conciliadora que permitia salvaguardar os direitos fundamentais da Revelação; numa forte consciência de «período», aberta pelo desenvolvimento da História da Filosofia, sob o impulso de J. Brücker, desenvolvendo métodos comparativos que, ao elegerem o que antecipadamente se considera como o melhor do ponto de vista da Razão e da Verdade, lançavam ao mesmo tempo o estigma da condenação sobre épocas inteiras, consideradas como períodos de crise e decadência, fazendo, assim, da história da Filosofia um tribunal da Razão.»

Obras

Obras Conclusiones Philosophicas... (1747);

Conclusiones Logico-Metaphysicas... (1748);

Speciosissime Sui Factoris Genetrici Mariae Sanctissime... (1749);

Conclusiones Philosophicas Critico-Rationalis de Historia Logicae... (1751);

Advertências Criticas e Apologéticas sobre o juizo que nas matérias do B. Raimundo Lullo formou o Dr. Apollonio Philomuso... (1752);

Elogio Fúnebre Do Padre Fr. Joaquim De S. Joseph, Doutor Theologo Conimbricense... (1757);

Dissertação Theologica, Historica, Critica Sobre a Definibilidade do Mysterio da Conceição Immaculada de Maria Santissima... (1758);

De repetendis fontibus doctriae, Moderatoris Provincialis tertii Ordinis Sancti Francisci... (1770);

Continuação das noticias ecclesiasticas de 5 de Junho de 1771, para servir de supplemento a obra de Justino Febroni (1771);

Disposições do Superior Provincial para a Observancia Regular e Literaria da Congregação da Ordem Terceira de S. Francisco destes reinos... (1776);

Memorias Historicas do Ministerio do Púlpito por Hum Religioso da Ordem Terceira de S. Francisco (1776); Instrucção Pastoral (...)

Sobre a Justiça Christã... (1784);

Instrução Pastoral (...)

Sobre as Virtudes da Ordem Natural... (1785);

Instrução Pastoral (...) Sobre os Estudos Fysicos do Seu Clero (1786);

Cuidados Literarios... (1791),

Memorias Historicas e Appendix Segundo... (1794).

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