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Possidónio da SilvaFoi em 1863 que se constitui a Associação dos Arquitectos Civis e Archeólogos Portugueses, presidida pelo arquitecto e fotógrafo Joaquim Possidónio Narciso da Silva (1806-1896), defensor e praticante de uma arqueologia romântica, vocacionada ao Belo e ao Patriótico.De França, onde Possidónio estudou, veio a preocupação de conservar monumentos e sítios arqueológicos, com um aproveitamento ideológico ao serviço do chauvinismo. Em 1824 Possidónio da Silva foi para Paris frequentar o curso de Arquitectura na École de Beaux Arts. Entre 1829 e 1830 esteve em Roma, voltando a Paris para colaborar nas obras do Palais Royal e das Tuilleries. Em 1833 retornou a Portugal, avançando para arquitecto da Casa Real. Participou nas obras dos Palácio da Pena, São Bento, Necessidades; traçou o Palácio do Alfeite. No âmbito da grande Exposição Internacional de Paris em 1867 foi realizada a segunda sessão do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-histórica. Em 1872, este congresso foi transferido para Bolonha. Durante o evento, Possidónio da Silva obteve o primeiro contacto com as práticas da Arqueologia, nomeadamente com a escavação estratigráfica e sectorial. Em 1878, Possidónio publicou uma síntese desses métodos, as suas Noções Elementares de Archeologia. (Download em manybooks.net/titles/silvaj1718617186-8.html) O interesse de Possidónio da Silva pelos monumentos megalíticos começou na década de 1850, quando escavou um dólmen situado entre Sintra e Colares. Escavou ainda dois outros dólmens, nos arredores de Tomar. Se bem que Possidónio da Silva escolheu construir as fantasias bizarras de uma monarquia em avançado estado de descomposição e decadência, cabe-lhe o mérito de ter sido figura muito activa na defesa do Património arqueológico. No final da década de 1850 conseguiu obter o apoio do governo para o primeiro levantamento dos «monumentos nacionais». Recorrendo aos jornais, procurou sensibilizar a opinião pública para a necessidade da perseveração do Património arquitectónico. Em finais da década de 1880, Possidónio da Silva propôs que, semelhantemente ao feito noutros países europeus, se apresentasse ao Parlamento nacional uma proposta de classificação dos monumentos megalíticos, como uma das formas de os preservar de forma efectiva. A Associação dos Arquitectos Civis e Archeólogos Portugueses denomina-se hoje Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP); é o organismo que tutela hoje o Museu Arqueológico do Carmo, situado nas ruínas do antigo Convento do Carmo, em Lisboa. Em 1880, a igreja do Convento do Carmo, edifício gótico do final do século xv, estava abandonada e atulhada de lixo. Possidónio da Silva solicitou ao rei a cedência das ruínas para aí instalar a sede da AAP. Neste contexto, um dos primeiros objectivos da AAP foi a criação de um museu arqueológico, o primeiro em Portugal dedicado à recolha do património arqueo-lógico, arquitectónico e histórico, que andava devotado ao abandono tanto em Lisboa como nas províncias. Possidónio da Silva usou a AAP para a sua política de perseveração, divulgação do património e sensibilização das populações para a necessidade de o proteger. Exemplo disso, é a criação, no âmbito da AAP de cursos de História da Arte e de Arqueologia, e a solicitação aos sócios correspondentes de um levantamento dos monumentos megálitos das suas áreas de residência. Links |
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