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Henrique Leonor Pina

Nos anos 60 e 70 do séc. XX, Henrique Leonor Pina e José Pires Gonçalves inventariaram muitos menires e cromeleques nos concelhos de Évora e Reguengos de Monsaraz (Pina, 1972; Gonçalves, 1975).

Este tipo de monumentos, que havia sido pontualmente referenciado por Manuel Heleno nos seus Cadernos de Campo, tinha passado quase totalmente despercebido ao casal Leisner.

«Muitos dizem: nasci arqueólogo, o que não é mais que um mito. Quando fiz o sexto ano do liceu, em Montemor, vim para Évora, morar no princípio da Rua dos Penedos. Ainda fiz exame de admissão para Direito em Lisboa, mas não me adaptei aquilo, e preferi seguir o Magistério Primário. Lembro que uma vez fui ao Alto de São Bento e, aí sim, admito que fosse um certo fado, encontrei um machado neolítico, fragmentado, que esteve muito tempo em cima da mesa, até que a minha mulher o deitou fora. Talvez tenha sido o meu primeiro contacto, mas isso não foi de nascença. »

Nos anos 60, Henrique Leonor Pina, na companhia do Galopim de Carvalho e de José Pires Gonçalves, fez uma série de achados arqueológicos que enfatizaram a importância e extensão da cultura megalítica no território do Alentejo Central.

O «ponto culminante» foi, em 1964, a descoberta da Anta Grande do Zambujeiro, um dos maiores monumentos funerários da Península Ibérica. Esse trabalho deu origem a um importante espólio – a colecção Henrique Leonor Pina -, que hoje integra as colecções do Museu de Évora, num inventário com duas mil entradas.

Fez a primeira identificação de um importante conjunto de menires, cromeleques e monumentos funerários. Com os pastores, agricultores e caçadores criou uma rede de «prospectores», entre os quais recrutou os auxiliares para participar nas «escavações» e com quem, numa perspectiva surrealista, discutia as «interpretações» dos achados arqueológicos...

Na Anta Grande do Zambujeiro, a escavação arqueológica foi realizada com escassos meios, defrontou sérios problemas, não só devido as dimensões do monumento, mas também pela imediata necessidade de intervir para conservar a sua coerência estrutural.

Bibliografia

1961. “A Anta da Herdade do Duque em Reguengos de Monsaraz” in Revista de Guimarães, volume LXXI, n.ºs 1-2. Guimarães: Sociedade Martins Sarmento,

1961. “Nota sobre as indústrias líticas da foz do Leça, Leixões” in Boletim do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Faculdade de Ciências de Lisboa, n.º 9, Lisboa: Faculdade de Ciências de Lisboa, 1961.

1962. “A Anta da Azinheira em Reguengos de Monsaraz” in Trabalhos de Antropologia e Etnografia, volume XIX, fascículo 1. Porto: Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia e Faculdade de Ciências do Porto,

1962. Pina, Henrique Leonor, e Carvalho, Galopim de (1962), “A Anta da Velada das Éguas, Barrocal, Évora in Boletim da Junta Distrital de Évora, n.º 2, Évora: Junta Distrital de Évora,

1962. Pina (1971), Henrique Leonor, “Novos Monumentos Megalíticos do Distrito de Évora” in Actas do II Congresso Nacional de Arqueologia. Coimbra,

1971. Pina (1976), Henrique Leonor, “Cromlechs und Menhire bei Évora in Portugal” in Madrider Mitteilungen n.º 17. Heidelberg: F. H. Kerle Verlag, 1976. Vasconcelos (1898), José Leite de, Antas dos Arredores de Évora.

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