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José Leite de Vasconcelos (1858-1941)José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo As ciências exactas guiaram o estilo investigativo de Leite de Vasconcelos. Na Filologia, na Arqueologia e na Etnografia, a sua obra ficou como referência.
Ao falecer aos 82 anos de idade, Leite de Vasconcelos deixou-nos uma vasta obra que abrange todos os campos em que abordou o estudo do Homem Português, tanto do passado como do presente e especialmente na sua vertente popular: Filologia e Linguística, Literatura, Etnografia, Numismática, Arqueologia. Cresceu na zona do mosteiro cisterciense de S. João de Tarouca, entre a vila de Ucanha, Mondim da Beira, Salzedas, onde um padre o iniciou em latim e um tio em francês; "já nesse tempo se manifesta o traço que havia de fazer dele o maior registador de coisas populares: sem saber ao certo para quê, ia apontando em caderninhos o que ouvia ou perguntava". Falida a família, aos 18 anos foi para o Porto como amanuense em liceu e, ao mesmo tempo, continuar os estudos. Aí, em 1886, se licenciaria na Escola Médico-Cirúrgica, mas só exerceu a nova profissão um ano, o de 1887, no Cadaval. Na tese de licenciatura, Evolução da linguagem (1886), focava nos interesses de letras que ocuparam a sua longa vida. Doutorou-se na Universidade de Paris, com Esquisse d'une dialectologie portugaise (1901; reeditado em 1970 e 1987), a primeira grande síntese da diatopia do português (a que só quase meio século depois sucederiam as investigações de Manuel de Paiva Boléo; e, em fase posterior ainda, as de Luís Lindley Cintra). Chegou a professor do ensino superior apenas em 1911, quando o Curso Superior de Letras se transformava em Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mas já antes leccionara na Biblioteca Nacional, onde era conservador desde 1887, para Numismática e Filologia Portuguesa. Desses tempos são as Lições de Philologia Portuguesa (1911; 2.ª edição, 1926) e a antologia de Textos Archaicos (1903; 3.ª edição, 1922-23). Exerceu também no Liceu de Lisboa, mas a actividade docente não foi nunca o seu terreno preferido. Uma das suas primeiras publicações, editada em 1881 ainda como estudante do ensino secundário no Porto, apontava já o percurso que iria trilhar: Tradições Populares Portuguesas. Pouco depois, já estudante de Medicina (o curso que viria a concluir em 1886, com uma tese sobre A Evolução da Linguagem) e talvez influenciado pelas discussões havidas no chamado Congresso de Lisboa de 1880, acrescentava ao presente a dimensão do passado que sempre o acompanhou, dando à estampa um livro de bolso da Biblioteca do Povo intitulado Portugal Pré-Histórico.Nestas obras encontra-se a visão leiteana da junção do passado ao presente, na convicção de que nos encontramos irredutivelmente ligados àquilo que fomos. Leite de Vasconcelos começou por exercer, em 1885, o cargo do Delegado de Saúde na vila do Cadaval, onde viria a realizar importantes descobertas arqueológicas, como a do Castro de Pragança. Em 1887 foi nomeado conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa e em 1889 fundou a Revista Lusitana. As Religiões da LusitâniaNos anos seguintes, Leite de Vasconcelos atinge o apogeu da sua obra: a criação do Museu Etnográfico Português em 1893, o lançamento da revista O Arqueólogo Português em 1895, e o início da publicação da sua obra-mestra As Religiões da Lusitânia em 1897. Leite de Vasconcelos compilou a secção etnográfica do Museu, no Boletim de Etnografia (1920-1937; 5 volumes). Pouco depois da implantação da Républica em 1910, foi criada a Faculdade de Letras de Lisboa em 1911; Leite de Vasconcelos é nomeado professor das cadeiras de Língua e Literatura Latina, Literatura Francesa (época medieval, gramática comparativa das línguas românicas). Leite de Vasconcelos foi o mais internacional e cosmopolita dos investigadores portugueses, tendo estudado e tirado o seu doutoramento em França. Defendeu em 1901 em Paris a tese Esquisse dune dialectologie portugaise. Em 1909 participou no Congresso do Cairo, de que foi presidente da 1. Secção (Arqueologia Pré-histórica) e, de onde trouxe algumas das antiguidades egípcias que ainda hoje se conservam no Museu. Em trabalhos de Filologia, destaca-se Antroponímia Portuguesa (1928). Em estudos de Etnografia Comparativa, publicou sucessivamente Signum Salomonis, A Barba em Portugal e A Figa, respectivamente em 1918, 1925 e 1926. Das suas extensas viagens pelo país, dão conta De Terra em Terra, Mês de Sonho (visita aos Açores, em 1924) e a obra De Campolide a Melrose. Mesmo centrado na edificação do museu e nos estudos arqueológicos e etnográficos, Leite de Vasconcelos não abandonou a sua enciclopédica visão da cultura portuguesa. Mas só com a aposentação do cargo de director do museu em 1929, pôde ele lançar as bases da sua ambiciosa Etnografia Portuguesa, cuja publicação em 10 volumes abarca inúmeros aspectos do povo português, desde a ocupação do território e a vida material, até às superstições e à religiosidade. Após a sua morte, foram publicados Romanceiro português (1958-1960) e Teatro Popular Português (1974-1979). Os Opúsculos de Leite de VasconcelosNos sete volumes dos Opúsculos está reunida uma pequena parte, muito seleccionada, da monumental produção linguística de José Leite de Vasconcelos. Quando se aproximava dos 70 anos de idade, em resposta a um convite de Joaquim de Carvalho, director da Imprensa da Universidade de Coimbra, o Doutor Leite empreendeu uma escolha dos estudos que escrevera numa vasta série de domínios relacionados com a linguagem e, depois de revistos e actualizados, e acrescentados de alguns inéditos, organizou-os com o seguinte plano: Filologia volumes I (1928) e IV (1929) Dialectologia volumes II (1928) e VI (1985, póstumo) Onomatologia volume III (1931) Etnologia volumes V e VII (ambos em 1938) Os quatro primeiros volumes foram publicados, como previsto, pela Imprensa da Universidade de Coimbra. Após o seu encerramento por ordens do governo da época, o Doutor Leite transferiu a publicação dos volumes restantes para a Imprensa Nacional, em Lisboa, onde publicou os dois de Etnologia e deixou aprontado um segundo volume de Dialectologia. Este foi ultimado e parcialmente redigido por Maria Adelaide Valle Cintra, que deixou materiais com que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda projecta publicar um terceiro volume de Dialectologia. http://www.instituto-camoes.pt/cvc/bdc/etnologia/opusculos/index.html |
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