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Georg e Vera Leisner

As personalidades, tanto de Georg Leisner, como da sua esposa Vera Leisner, assim como o trabalho científico realisado pelos dois em conjunto, são um fenómeno sui generis na Arqueologia da Península Ibérica – a todos os níveis impressionante.

Georg Klaus Leisner nasceu em Kiel em 1870. Oficial do exército bávaro, participou numa expedição militar à China em 1900, depois na antiga colónia alemã na África do Sudoeste em 1904.

Depois de terminar a I. Guerra Mundial com a patente de major, Georg Leisner reorientou a sua vida quando descobriu a sua paixão pela Arqueologia. Começou os seus estudos universitários aos 60 (!) anos de idade. Tomou parte na 8. campanha do célebre africanista Frobenius e a partir de 1933 veio para a Península Ibérica. Em 1938, com 68 anos de idade (!), Georg Leisner faz o seu doutoramento em Pré-História, defendendo uma dissertação sobre o megalitismo.

Vera Leisner, nascida em Nova Iorque em 1885, quis partilhar com o esposo toda a aventura que foi a vida de arqueólogos deste casal. Georg e Vera Leisner realizaram o titânico empreendimento de fazer o inventário quase completo dos túmulos megalíticos da Península Ibérica, publicando os resultados das suas escavações a partir de 1943 na famosa obra Die Megalithgräber der Iberischen Halbinsel.

Pelos méritos do seu trabalho, Vera Leisner obteve um doctor honoris causa pela Universidade de Freiburgo na Alemanha. Ambos os Leisners atingiram idades bíblicas: Georg morreu aos 90 anos de idade, a sua esposa Vera, que falava um português aceitável, faleceu aos 80 anos – no meio do seu trabalho em Lisboa.

Quando episodicamente se lêem criticas ao trabalho do casal Leisner, transparece por vezes alguma mesquinhez. É por exemplo o caso, quando Mário Varela Gomes critica os Leisner por terem completamente ignorado os menires.

É verdade que os Leisner se condicionaram a uma tarefa bem definida: a documentação exaustiva de antas, dólmenes e tholoi – e fizeram-na com grande brio, numa época de convulsões marcada pelo fascismo alemão e português. Quero ver alguns dos críticos dos Leisner começarem aos 60 anos de idade uma tarefa de calibre igual à dos Megalithgräber!

Os túmulos megalíticos

Georg e Vera Leisner iniciaram os seus trabalhos sobre o megalitismo a partir dos anos 40, criando um excepcional obra referência, a nível peninsular e a nível internacional. Um inventário monumental, com uma extensa documentação gráfica (ilustração e fotografia) de estruturas e materiais

Para além do contínuo trabalho de prospecção e escavação, os Leisner fizeram a revisão da bibliografia disponível e de parte dos materiais depositados no Museu Etnológico, alguns dos quais provenientes das escavações de Manuel Heleno e Vergílio Correia.

Os frutos do trabalho estão reunido na monumental publicação Megalithgräber der Iberischen Halbinsel , apenas disponível em alemão (Leisner e Leisner, 1956; 1959). Publicaram em português um conjunto de trabalhos fundamentais, de que se destaca o estudo das Antas de Reguengos de Monsaraz (Leisner e Leisner,1951), precedido de um estudo sobre as Antas dos Arredores de Évora (Leisner, 1948-49) onde são inventariados 152 monumentos num raio de apenas 30 km em redor de Évora, algumas das quais no concelho de Montemor-o-Novo.

Obras publicadas

ZBYSZEWSKI, Vera Leisner Les grottes artificielles de Casal do Pardo (Palmela) et la culture du vase campaniforme / Vera Leisner; G. Zbyszewski; O. da Veiga Ferreira. - Lisboa : Serviços Geológicos de Portugal, 1961.

LEISNER V. (1965), Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel. Der Westen. Madrider Forschungen, Band 1,3. Lieferung, Berlim.

LEISNER, V. e RIBEIRO, L. (1968), Die Dolmen von Carapito, M.M., 9, pp. 11-62.

LEISNER, K. G. (1938), Verbreitung und Typologie der galizisch- nordportugiesischen Megalithgraber, Marburg.

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